Covid-19: sequelas em pessoas que eram saudáveis levaram ao transplante pulmonar

O cirurgião José Fragata contou que recentemente um homem com 60 anos, saudável até ficar doente com a covid-19 e que esteve vários meses ventilado, teve de se submeter a um transplante dos dois pulmões, que ficaram “indistinguíveis da fibrose pulmonar”.

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Mário Cruz/Lusa

O cirurgião cardiotorácico José Fragata alertou esta terça-feira para as sequelas da covid-19 que já se começam a sentir nos pulmões de alguns doentes que ficaram semelhantes aos portadores de fibrose quística e a exigir um transplante pulmonar.

José Fragata, vice-reitor da Universidade Nova de Lisboa e director do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, participava na conferência online “O impacto da Covid-19 nas Doenças Respiratórias Crónicas nos países da CPLP”, organizada pelo Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT).

O cirurgião alertou para as consequências da covid-19 que só se conhecerão “no dia seguinte” da pandemia e que passarão por todos os que ficaram por tratar e os que ganharam sequelas respiratórias, articulares e outras, ainda não conhecidas. “Esta é a verdadeira ponta do icebergue da pandemia que ainda não conhecemos”, afirmou.

De acordo com o especialista, “as sequelas pulmonares da covid-19 são pouco conhecidas, mas vão aparecendo”. E contou que ainda recentemente um homem com 60 anos, saudável até ficar doente com a covid-19, que esteve vários meses ventilado, teve de se submeter a um transplante dos dois pulmões, que ficaram “indistinguíveis da fibrose pulmonar”, apesar de serem saudáveis até à pandemia. José Fragata referiu que outros dois doentes estão em lista de espera para o transplante pulmonar, pelos mesmos motivos.

A conferência sobre “O impacto da Covid-19 nas Doenças Respiratórias Crónicas nos países da CPLP” é organizada pelo IHMT em colaboração com a Aliança Global Contra Doenças Respiratórias Crónicas Global (Gard), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a Gard-Portugal, com o apoio da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH).

Na sessão de abertura, o secretário-executivo da CPLP, Francisco Ribeiro Teles, referiu que “a pandemia parece ainda longe de estar debelada e deixará feridas mais profundas nas geografias com maior vulnerabilidade social e económica”. “O acesso à vacina continuará a condicionar as nossas expectativas em relação à covid-19”, disse, reiterando que a CPLP defende que as vacinas devem ser consideradas um bem público global” e que “o processo de vacinação deve ser global, não deixando ninguém para trás”.

A covid-19 em Angola

Franco Mufinda, secretário de Estado da Saúde de Angola, também participou no evento online, recordando que a vacinação nesse país africano arrancou a 2 de Março e que, desde então, foram vacinadas com uma dose 1.432.690 pessoas e 523.000 com duas doses. Em Angola, a covid-19 tem uma letalidade de 2,4% e uma recuperação de 84%. Com o epicentro da pandemia em Luanda, a covid-19 registou a primeira vaga em Outubro de 2020 e a segunda em Março deste ano, estando agora “a declinar”, segundo Franco Mufinda.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.868.393 mortos no mundo, resultantes de mais de 178,4 milhões de casos de infecção.

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