Venda de equipamento à TAP acaba com impasse salarial na Groundforce

Negócio de sete milhões de euros envolve material como veículos de reboque de aviões e autocarros de aeroporto, o que irá permitir a regularização dos salários dos cerca de 2400 trabalhadores a partir de segunda-feira. Agora, falta saber se é aprovado o empréstimo de 30 milhões.

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Trabalhadores da SPdH/Groundforce manifestaram-se hoje junto ao Aeroporto Humberto Delgado LUSA/ANTÓNIO PEDRO SANTOS

A Groundforce e a TAP “chegaram, há minutos, a um entendimento que desbloqueia provisoriamente o impasse na empresa”, de acordo com um comunicado enviado ao início da tarde desta quinta-feira pela empresa de assistência em terra. Nada é dito no comunicado sobre os pormenores do acordo, mas, segundo as informações recolhidas pelo PÚBLICO, envolve a entrada de cerca de sete milhões de euros na empresa através da compra de equipamentos por parte da TAP (como veículos de reboque de aviões, autocarros de aeroporto e escadas, entre outros).

Detida a 50,1% pela Pasogal, de Alfredo Casimiro – cabendo os outros 49,9% à TAP –, a Groundforce tem parte dos salários de Fevereiro por pagar aos seus cerca de 2400 trabalhadores e atravessa dificuldades financeiras. Agora, refere-se no comunicado, é “possível encontrar uma solução que permita pagar os salários aos trabalhadores e pôr fim à angústia de 2400 famílias”.

“Resolvida a urgência, a Groundforce continuará a empenhar os seus melhores esforços, certamente com o apoio dos accionistas Pasogal e TAP, no sentido de resolver a questão de fundo”, diz o comunicado.

A empresa de assistência em terra nos aeroportos, da qual Alfredo Casimiro é o presidente do conselho de administração, diz acreditar que, “depois destas difíceis semanas, contará com a celeridade das entidades oficiais para a concretização do empréstimo com o aval do Estado que permitirá recuperar, de forma definitiva, o normal funcionamento da empresa”. A Groundforce pediu um empréstimo de 30 milhões de euros que envolve a Caixa Geral de Depósitos e garantias públicas a emitir pelo Banco de Fomento, faltando a sua aprovação.

Os cerca de sete milhões de euros ligados ao negócio que foi agora anunciado correspondem ao valor que fora pedido pela Groundforce como adiantamento de serviços, tendo a TAP pedido a apresentação de garantias (após já ter feito outros adiantamentos). Foi aqui que começou o impasse, que acabou por levar ao receio de insolvência por parte dos trabalhadores.

Em troca do adiantamento de 6,97 milhões de euros, a TAP, que é também o principal cliente da empresa, pediu as acções da Pasogal/Alfredo Casimiro como garantia, para depois descobrir que estas já comprometidas com outro credor (que o Expresso identificou como sendo o Montepio), o que inviabilizou esta solução. Depois disso, a TAP propôs um aumento de capital nesse valor, a subscrever só por si, o que faria com que Alfredo Casimiro perdesse o controlo da empresa.

Em reacção, o empresário mostrou-se disponível para um aumento de capital, mas desde que pudesse acompanhar a operação. Depois disso, chegou-se então ao acordo agora anunciado, que permite dar algum “oxigénio” à Groundforce.

A incerteza que permanece

Após mais uma manifestação dos trabalhadores da empresa, que se realizou ao final da manhã de hoje na zona do aeroporto de Lisboa, os deputados da Comissão de Economia da Assembleia da República vão ouvir na tarde desta quinta-feira as estruturas representantes dos trabalhadores, Alfredo Casimiro e o presidente do conselho de administração da TAP, Miguel Frasquilho.

Perante os deputados, o responsável da Plataforma de Sindicatos de Terra do Grupo TAP, André Teives, esclareceu que os salários serão regularizados na segunda-feira, tendo o dirigente do Sitava, Fernando Henriques, afirmado que o negócio envolve o posterior aluguer dos equipamentos por parte da TAP à Groundforce. Já Catarina Silva, do Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal (STTAMP), depois de ter sublinhado a importância da regularização dos vencimentos, questionou como será a situação em Abril, e se haverá ou não a garantia de manutenção de postos de trabalho.

Por parte da Comissão de Trabalhadores, Erasmo Vasconcelos sublinhou que não é possível permanecer com as “situações de incerteza” que se têm vivido, dando nota de que há “casos de fome”. “Não percebemos como se chegou a este ponto”, afirmou, num contexto em que existem vários apoios públicos ligados aos efeitos da pandemia de covid-19.

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