Mesquita Nunes propõe Conselho Nacional para marcar eleições antecipadas no CDS-PP

“A crise de sobrevivência que o CDS hoje atravessa não conseguirá ser resolvida com esta direcção”, diz Adolfo Mesquita Nunes.

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Adolfo Mesquita Nunes diz que o CDS tem “muito pouco tempo” paulo pimenta

O antigo vice-presidente do CDS-PP Adolfo Mesquita Nunes propôs a realização de um Conselho Nacional para convocar eleições antecipadas para a liderança, defendendo que esta direcção “não conseguirá” resolver “a crise de sobrevivência” do partido.

Num artigo de opinião publicado nesta terça-feira no Observador, o centrista alertou que “o CDS tem um problema de sobrevivência” e não tem “muito tempo para o resolver”, alegando que “não se trata de uma opinião singular mas de um juízo consensual: não há ninguém que pense” que as coisas “estão a correr bem”.

Apesar de considerar que a direcção liderada por Francisco Rodrigues dos Santos, eleita há um ano, “tem total legitimidade para continuar em funções, tendo ganho um congresso”, o antigo dirigente criticou que “diariamente se confirma que a actual direcção do CDS não foi capaz de liderar esse projecto e essa estratégia, independentemente das boas intenções”.

E alertou que, “quando o seu mandato terminar, será demasiado tarde para reagir, com os partidos emergentes a consolidar-se cheios de entusiasmo e o CDS a decair projectando uma imagem de erosão”.

“A crise de sobrevivência que o CDS hoje atravessa não conseguirá ser resolvida com esta direcção”, defendeu, advertindo que “daqui a um ano será tarde demais”.

Assim, Adolfo Mesquita Nunes propôs à direcção do CDS-PP que convoque “um Conselho Nacional urgente que discuta se [se] deve devolver a palavra aos militantes através de um congresso electivo, se necessário em formato digital, como há dias a Democracia Cristã alemã organizou”.

“Em poucas semanas será possível fazer esse congresso, se o Conselho Nacional [o órgão máximo entre congressos] se reunir já e assim o deliberar”, refere, salientando que, se esta mudança acontecer o mais rapidamente possível, ainda será possível ir “a tempo das autárquicas” e “a tempo de projectar uma nova força”.

O antigo vice-presidente do CDS-PP justificou também que o resultado das eleições presidenciais de domingo confirmou “a consolidação dos novos partidos à direita”, e mostrou “a velocidade da erosão do CDS: um partido que não marca a agenda, que não se antecipa, que não passa a mensagem, que não se afirma como alternativa, que não é ouvido nem tido em conta, que parece conformado em caminhar para a irrelevância”.

“Portanto, o CDS tem de tomar uma decisão: quer mudar de caminho enquanto é tempo, e portanto mudar de direcção; ou quer seguir o caminho até aqui, mantendo tudo como está? As duas opções são legítimas. Mas quem preferir tardar um ano estará a dizer aos portugueses que o CDS não atravessa problema de maior, que o risco não é gravíssimo, que estamos num caminho aceitável, que esta vertigem para a irrelevância é um invenção ou uma ilusão”, frisou o democrata-cristão.

Na sua óptica, “o CDS tem de aparecer com nova força, com protagonistas a quem o país reconhece competência e ambição, com capacidade de liderança e agregação, ou corre o risco de confirmar o que muitos já dão por adquirido”, “a irrelevância” do partido.

Apontando que o CDS tem “muito pouco tempo”, Mesquita Nunes assinalou que este “apelo de mudança” é “um dever de consciência”.

“E é um apelo à consciência independente de cada um, de cada militante, sem facções, sem tribos, sem segmentos, sem revanchismo, sem tendências — de olhos postos no futuro, aberto a todos os que podem contribuir para dar uma nova força ao CDS neste derradeiro momento e que sentem, na consciência da sua militância, que precisamos mesmo de mudar”, apontou.

No último congresso, que decorreu nos dias 25 e 26 de Janeiro do ano passado, o CDS-PP elegeu Francisco Rodrigues dos Santos como presidente, para um mandato de dois anos.

João Almeida recorda congresso

Desde sexta-feira que João Almeida, um dos candidatos à liderança derrotados no congresso, recorda, na sua página no Facebook, esse momento. “Faz hoje um ano que partia para um dos maiores desafios da minha vida política. O congresso em que me candidatava à presidência do CDS. Foi um momento de defesa daquilo em que acredito e de disponibilidade para servir o partido num momento difícil. Perdi. Aceitei a derrota. Um ano passado, nada volta atrás. A candidatura teve o seu tempo e o partido seguiu o seu caminho”, escreveu. E para “homenagear e agradecer” a todos os que estiveram consigo, partilha uma entrevista dada então à SIC.

Já nesta quarta-feira, “continuando a lembrar o congresso”, João Almeida publicou o vídeo do discurso a defender a moção com que se candidatava. “Apresentei ideias, respondi a críticas e procurei mobilizar o partido. Foi há um ano, e como a vontade da maioria do congresso foi outra, ficou uma extraordinária experiência cujos ensinamentos jamais esquecerei.”

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