Coração em esforço

No fundo, a prevenção desta patologia passa pela adoção de um estilo de vida saudável, pelo controlo das suas causas e de uma avaliação médica regular.

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Ines Fernandes

Sente-se cansado? Com tosse e dificuldade em respirar? Tem as pernas e pés inchados? Estes são alguns dos sintomas que não deve ignorar pois podem indicar a presença de problemas no coração, como é o caso da insuficiência cardíaca.

A insuficiência cardíaca é uma condição crónica que afeta mais de 30 milhões de doentes em todo o mundo, que se mantém associada a um elevado número de hospitalizações (principal causa em doentes acima de 65 anos e com taxas de reinternamentos elevada) e associada a elevada mortalidade, apesar dos modernos tratamentos disponíveis.

A insuficiência cardíaca surge quando o coração perde a capacidade de bombear o sangue de modo a satisfazer as necessidades suficientes de oxigénio e de nutrientes que todos os tecidos e órgãos necessitam.

Numa fase inicial as paredes do ventrículo esquerdo tornam-se mais espessas e o ritmo cardíaco aumenta para compensar a perda de função.

Estas alterações, eventualmente favoráveis durante algum tempo, fazem com que o coração vá, no futuro, dilatando e enfraquecendo, com progressiva deterioração da função cardíaca, levando às primeiras manifestações da doença, como edemas periféricos (inchaço nos membros inferiores), fadiga, sensação de coração acelerado, tosse e dificuldade respiratória, entre outros.

É certo que os sintomas da insuficiência cardíaca não são sempre óbvios mas estes sinais não devem ser ignorados. É importante conhecê-los para que possa agir atempadamente e procurar um especialista quando surgem os primeiros sinais. Apesar do contexto de pandemia que estamos a atravessar, é fundamental que as pessoas, principalmente aquelas que têm problemas cardíacos, não se inibam de procurar resposta aos seus problemas de saúde.

Os circuitos físicos e os protocolos de atuação nas unidades hospitalares estão definidos e implementados para a segurança de todos os doentes e profissionais de saúde, pelo que procurar resposta clínica é seguro e os doentes devem fazê-lo, sem hesitar, sempre que necessário.

O diagnóstico de insuficiência cardíaca, que passa pela realização de diversos exames complementares de diagnóstico, continua a ser desafiante porque os sintomas não são específicos e, em fases precoces, muitos doentes são assintomáticos.

A New York Heart Association (NYHA) classifica a insuficiência cardíaca em quatro classes funcionais, de acordo com a gravidade dos sintomas. Quanto maior a classe, maior a gravidade da doença e maior a limitação do doente. O doente em classe I não tem sintomas mesmo durante o esforço e em classe IV tem sintomas mesmo em repouso.

Algumas das causas mais comuns de insuficiência cardíaca, sobretudo em países ocidentais, onde Portugal se inclui, são o enfarte do miocárdio e outras doenças das coronárias, a hipertensão arterial mal controlada e as doenças das válvulas cardíacas, seja por agressão direta ou por sobrecarga do músculo cardíaco. Causas mais raras incluem doenças cardíacas congénitas, infeções víricas do músculo cardíaco, alcoolismo, arritmias e alguns tratamentos usados para tratar cancros.

O controlo de fatores de risco como a pressão arterial, colesterol e diabetes é essencial na prevenção da insuficiência cardíaca. É importante manter uma dieta adequada, bem como a prática de exercício físico e, sobretudo, não fumar. A ingestão de bebidas alcoólicas deve ser muito regrada.

No fundo, a prevenção desta patologia passa pela adoção de um estilo de vida saudável, pelo controlo das suas causas e de uma avaliação médica regular.

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