Venda de carros cai 86,5% em 15 dias. ACAP pede estímulos à procura

Compraram-se menos 5370 carros na primeira quinzena de Abril. ACAP calcula que Estado já perdeu 15 milhões em impostos e pede plano para “relançar procura”.

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Rui Gaudêncio/Arquivo

Entre 1 a 14 de Abril, foram matriculados em Portugal 838 ligeiros de passageiros. Um ano antes, no mesmo período tinham sido 6208. É uma quebra de 86,5%, em termos homólogos, que demonstra bem que “o sector automóvel é, sem dúvida, dos mais afectados por esta grave crise”.

Quem o diz é a Associação Automóvel de Portugal (ACAP), que representa a indústria e o comércio e que defende a suspensão do pagamento do Imposto Único de Circulação (IUC), a duplicação dos apoios do Estado à compra de eléctricos e outras medidas para ajudar um sector que, até aqui, não conta com uma única medida de apoio por parte do Governo.

Para a ACAP, esta ausência de um plano de ajuda é incompreensível. Tanto mais que o próprio Estado já terá perdido 15 milhões de euros com este abrandamento, segundo contas desta associação. O sector “é responsável por 21% do total de receitas fiscais, por 25% das exportações de bens transaccionáveis, representa 19% do PIB e emprega directamente 200.000 pessoas”. Isso diz bem da importância económica de uma indústria, que inclui os maiores exportadores nacionais.

Uma realidade que, há dois meses, era reconhecida pelo próprio ministro da Economia quando Pedro Siza Vieira fez uma espécie de volta a Portugal pelas indústrias do sector automóvel, dedicando-lhe atenção e colocando-o no patamar das indústrias que importa desenvolver.

Nessa semana, a Itália começou a sentir o que se transformou na pandemia de covid-19. Quando esta atacou em Portugal, cerca de um mês depois, o plano de apoio à crise empresarial não incluía medidas específicas para a indústria dos carros.

Os dados que entretanto têm vindo a público espelham como a retracção geral afectou também este sector. Em Março, a compra de carros caiu 56,7% e a produção de veículos em Portugal teve uma quebra percentual um pouco menos acentuada, de 46,1%, também em termos homólogos. Com a Autoeuropa e a PSA parada, a produção nacional, que é quase toda ela exportada, travou.

Agora são dados da primeira quinzena de Abril a fazer soar os alarmes. “No período de 1 a 14 de Abril, o mercado de ligeiros de passageiros teve uma queda de 86%. Ou seja, neste período foram matriculados 838 veículos e, no período homólogo de 2019, tinham sido matriculados 6208”.

A ACAP garante que os números só não são piores porque as 838 matrículas novas desse período “correspondem a encomendas efectuadas antes de 16 de Março”. “A partir desta data, a queda foi sempre na ordem dos 80%. No mercado de viaturas usadas, a situação é mais complicada ainda, porque depois daquela data as vendas estagnaram completamente”, diz a ACAP num comunicado.

Por isso, conclui, é preciso “minimizar o impacto desta crise e relançar a procura”. Para tal, a ACAP propõe “um aumento, imediato, da linha de apoio à compra de veículos eléctricos que deverá ver a sua dotação aumentada em 100%”.

“Por outro lado, deve ser já equacionado (como está a acontecer noutros países) um plano de incentivo ao abate de veículos em fim de vida. Este plano deverá ter uma dupla aplicação: apoiar a retirada de circulação de veículos com mais de 12 anos pela compra de um veículo novo de baixas emissões; e permitir a troca de um veículo usado por outro que, embora usado, cumpra uma norma Euro de emissões mais recente.”

A ACAP já tinha proposto a suspensão do pagamento do IUC ao Governo, mas continua sem resposta. E por fim quer ter acesso “a uma linha de crédito específica com uma parte do capital a fundo perdido”. 

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