Dieta vegan: Desafio superado!

Quarta semana: Energia em níveis elevados, tive menos dores do que seria suposto. Talvez um dos efeitos apontados da dieta vegan por alguns desportistas: rápida recuperação.

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Ao longo de um mês Rita Machado experimentou uma dieta vegan DR

Uma palavra: pizza. A sonhar com pizza. Carregada de mozarela. Lamento, mas a pizza vegan não tem nada a ver. E esta semana empenhei-me bem a tentar contrariar isso. Todas as tentativas que fiz resultaram em algo que simplesmente não me satisfez. Nem vamos falar dos queijos vegan, para esta utilização de derreter no forno e, depois, na boca, não cumprem a função – ou talvez seja uma questão de hábito ou motivação. Na verdade, o meu grau de exigência estava elevado, porque eu quando falho na dieta é, amiúde, com pizza (ou nachos com guacamole, ou brownies... bem, é melhor parar!).

O melhor que consegui esta semana em termos de pizza (não sei se foi da quarentena, mas estava um bocado obcecada com comer hidratos) foi fazer a minha própria massa com farinha de espelta, oat meal extra proteico, fermento Royal, sal e água morna (ingredientes que tinha em casa). Metia-a no forno apenas com um fio de azeite em cima, molho de tomate caseiro, cogumelos e alho francês, e depois comer esta base de pizza com vários dips: guacamole, húmus e molho de tomate caseiro. Sem queijo (nem normal nem vegan), e soube bastante bem.

Se tiver de apontar, efectivamente, do que senti mais falta nestas quatro semanas a ter uma alimentação vegan, dado que a minha intolerância à lactose e à proteína do leite já me faz comer poucas vezes lacticínios – portanto, do queijo não sinto tanta falta – foi dos ovos. Habitualmente, como dois a três ovos por dia, confesso que me custou deixá-los e senti falta do seu sabor. Só de pensar numa gema amarelinha a escorrer para cima de qualquer coisa (nem que seja arroz e atum) já fico com água na boca.

O desafio em si não foi difícil, sobretudo nada difícil no que diz respeito à eliminação da carne e do peixe, que são mesmo muito fáceis de substituir. Há cada vez mais produtos que nutrem e com um pouco de paciência e boa vontade, há muito que se pode criar com vários tipos de feijão, cogumelos, lentilhas, quinoa, tofu e beterraba, desde almôndegas (sim, eu sei que já falei nelas duas vezes, mas eu adoro!) veggie a bolonhesa vegan (a bolonhesa é outras das coisas que adoro) – já perceberam que estou ‘numa relação’ com a comida italiana...

Efeitos que tenho no organismo que relaciono directamente a este desafio de quatro semanas: perdi cerca de 1,5 kg (optei por versões simples, há muita comida vegan com recurso a molhos feitos de frutos secos que podem engordar, tive atenção a isso, ainda assim é de referir porque comi mais do que o habitual, dado metade do desafio ter sido passado em casa em teletrabalho), o meu aparelho digestivo funciona que nem uma máquina, com digestões rápidas e sem sonolência, a minha psoríase (doença de pele) melhorou bastante, a minha celulite parece menos inflamada. A única coisa que não senti melhorar foi o sono, confesso que esperava que esta dieta afectasse pela positiva as horas de sono, que não têm sido muitas. Mas, também, pode ser por todo o enquadramento da pandemia, todos estes efeitos estão numa realidade que não é a minha habitual. Mas que, em prol da crónica jornalística, tentei manter o mais próximo possível da realidade.

Ter uma alimentação vegan é mesmo – e só – uma questão de vontade, de querer fazer o desafio e de querer perceber como nos sentimos. Ao final de quatro semanas, pode-se sempre voltar atrás. A maior parte dos vegans com que falei, teve o tal processo: flexitarianos primeiro, depois eliminam a carne, o peixe, os lacticínios e, por fim, tentam dias só vegan, e por aí em diante. 

Deste desafio ficarão aprendizagens e bons comportamentos, isso de certeza. O que aprendi sobre mim, ao longo deste mês, será talvez o mais importante no final de tudo: aprendi (ou reforcei) que a nossa relação com a comida é mais complicada do que gostamos de admitir, e que estes exercícios ou desafios só nos alertam para isso. O que cada um faz depois com essa informação, já dava todo um outro artigo...

Vegan físico e mental

Mafalda Sampaio, 31 anos, proprietária da mercearia vegan Pistácio, psicóloga do desporto e actividade física, é vegan há dois anos e meio, após ter sido flexiteriana cerca de 13 anos, e a propósito da saúde mental refere: “Como profissional de saúde mental associada à actividade física privilegio o foco nas potencialidades que uma alimentação origem vegetal pode ter na saúde física, mental e espiritual.”

E dá algumas dicas simples para este estilo de vida: “Manter a simplicidade, focar no que se prioriza, desfrutar da experiência e usar tanto o conhecimento prévio (história e cultura) como o novo (informação e apoio). Na cozinha tradicionalmente portuguesa temos já a base: a fruta, as verduras, as leguminosas e os cereais. A proteína? Bem, essa encontramos nos anteriormente referidos. Se quisermos mais e, até por uma questão de maior conforto do paladar, associamos alguns substitutos como tofu, seitan, ‘queijo’, ‘alheira’, ‘chouriço’, ‘mortadela’, ‘fiambre’, ‘burgers’, todos vegan, entre outros. Mas, claro está, que estes devem ser apenas complementos.”

E deixa a sugestão para quem vai às compras: “De forma a manter o prazer mas também a determinação na mudança proponho uma reflexão prévia sobre aquilo que se quer ver na lista e, se fizer sentido, um plano semanal (não precisa ser muito restritivo). Com certeza, alguns alimentos já serão bastante familiares, para outras opções, podemos procurar utilizar a imaginação e até algum apoio como através do Desafio Vegetariano. Acima de tudo, procurar diversão na experiência! A melhor forma de nos mantermos no caminho a que nos propormos é desfrutarmos dele.”

@ritamachado33 [ www.instagram.com/ritamachado33 ] #vegantena

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