Príncipe André declara que já não era amigo de Epstein quando este caiu em desgraça

A amizade do filho da rainha com o multimilionário norte-americano, acusado de tráfico sexual de menores e que, entretanto, morreu na prisão, em Agosto, tem causado dissabores à monarquia britânica.

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O Departamento da Justiça norte-americano esclareceu que André não irá receber qualquer tratamento especial por pertencer à família real britânica Reuters

Foi durante anos visita frequente nas propriedades de Jeffrey Epstein e uma figura constante na vida do multimilionário norte-americano. Mas o que mais chocou a imprensa foi a visita do duque de York a Epstein já depois de, em 2008, este ter sido acusado de tráfico sexual de menores, tendo escapado à condenação e respectiva pena (prisão perpétua), mas cumprido 13 meses por solicitar os serviços de uma prostituta e esta ser menor. 

É após este episódio que o príncipe André ruma a Nova Iorque, em Dezembro de 2010, para visitar Epstein. As fotografias desse encontro, entretanto tornadas públicas, colocaram o filho de Isabel II em maus lençóis e, nos últimos meses, têm-lhe valido algumas manchetes da imprensa britânica, que questiona a relação dos dois homens e o envolvimento do príncipe nos crimes cometidos por Epstein. Sobretudo depois de uma das alegadas vítimas de Epstein surgir ao lado do príncipe numa fotografia de 2001, tendo afirmado ter servido de escrava sexual a ambos e de ter tido relações sexuais com o monarca quando tinha apenas 17 anos.

Agora, amigos do duque de York vêm dizer que a visita teve como objectivo terminar o elo de amizade que unia os dois homens. E, de acordo com o The Sunday Times, o segundo filho da rainha já aceita o facto de Epstein ter sido um pedófilo sob a máscara de um homem de negócios. O jornal cita amigos próximos do príncipe, referindo que o monarca considera que Epstein era “muito bom a disfarçar” e que o próprio não passava de um “amigo troféu” para o norte-americano exibir aos restantes amigos.

Já sobre as alegações de Virginia Roberts Giuffre, uma nota oficial Palácio de Buckingham negou “veemente que o duque de York tenha tido qualquer forma de contacto sexual ou relacionamento” com aquela. Porém, a mulher mantém as acusações e afirma que o príncipe “era um agressor”.

Um jantar de amigos para acabar amizade

O príncipe André mantém a teoria de que terá ido visitar Epstein para terminar a amizade, mas as autoridades concluíram que durante a visita houve um jantar de amigos, organizado por Epstein e que contou com as presenças do cineasta Woody Allen, da actriz Chelsea Handler e dos jornalistas Katie Couric, Charlie Rose e George Stephanopoulos. Mais: durante o mesmo período, há registos vídeo, divulgados pelo Daily Mail, que mostram várias raparigas a entrarem e a saírem da casa de Epstein, com um dos frames a mostrar o príncipe a despedir-se de uma delas à porta.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto na sua cela numa prisão de segurança máxima em Manhattan, Nova Iorque, a 10 de Agosto deste ano, no dia a seguir após terem vindo a público a existência de provas sobre o envolvimento do príncipe, assim como de outras personalidades, como o antigo governador do Novo México, Bill Richardson, ou o antigo senador norte-americano pelo Partido Democrata George Mitchell.

Mas, a morte do magnata norte-americano não deverá ser impedimento para que as investigações prossigam. O FBI já fez saber estar dedicado a identificar mais vítimas que possam fornecer informações sobre outros agressores e o Departamento da Justiça norte-americano esclareceu que André não irá receber qualquer tratamento especial por pertencer à família real britânica.

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