Veneza declara guerra às lojas de souvenirs de “pechisbeque”

Como acontece em muitos centros turísticos, as lojas de recordações e cópias baratas de produtos proliferam por Veneza. A cidade quer mudar o cenário e tem um plano.

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Uma loja perto da Praça de São Marcos Guglielmo Mangiapane/Reuters
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Turistas nma loja perto da Praça de São Marcos Stefano Rellandini/Reuters
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Loja de souvenirs com as típicas máscaras de Carnaval Guglielmo Mangiapane/Reuters

Veneza aprovou novas directivas destinadas a reorganizar os negócios das zonas mais nobres da cidade dos canais. Entre os objectivos da resolução aprovada pela autarquia, que ainda terá de ser ratificada pelo Governo Regional, está um muito específico e que dá muitas dores de cabeça a cidades turísticas pelo mundo: o controlo da proliferação de lojas de souvenirs que vendem produtos anódinos e considerados de baixa qualidade, particularmente cópias para consumo rápido dos turistas.

Depois de uma série de regulamentações destinadas a controlar os fluxos turísticos e até o comportamento dos visitantes, incluindo novas taxas turísticas, torniquetes e multas pesadas, enquanto tenta gerir os grandes cruzeiros, a cidade quer limitar e controlar a abertura de novas lojas durante os próximos três anos, noticia o La Repubblica. E, para já, começa por controlar as montras e lojas das zonas da Praça de São Marcos e ponte de Rialto. Mas é possível que esta normativa seja alargada a toda a cidade.

Em Veneza, stop à venda de souvenirs de qualidade e proveniência dúbias, a começar por São Marcos e Rialto. Aprovada uma deliberação para combater a contrafacção e salvaguardar o nosso artesanato”, escreveu no seu Twitter o presidente da câmara de Veneza, Luigi Brugnaro.

As categorias aceites para novos negócios nas zonas nobres são de comércio de retalho e moda (gama alta, alfaiataria), antiquários e oficinas de restauro, livrarias e galerias/lojas de arte, coleccionismo (filatelia, numismática), relojoaria e joalharia, design e mobiliário, de produtos de artesanato “típico, tradicional e histórico” ou criativo. Isto é, só serão aceites negócios “compatíveis com as necessidades de protecção e valorização do património cultural da cidade antiga”, indica o jornal Corriere della Sera. Um resumo detalhado das normas pode ser lido (em italiano) no site do município.

Não às montras low cost

As regras, aprovadas no final de Setembro, foram delineadas também para “melhoramentos” nas lojas já existentes. Nas áreas abrangidas, estas terão seis meses para se rearranjarem: as lojas não poderão ter produtos espalhados pela rua, nem em expositores, nem em portas ou fachadas, os caixilhos das janelas devem ser de metal ou madeira, as luzes e/ou neóns exteriores terão limites para o brilho e intensidade, nas janelas das lojas de artesanato deve ser exposta informação sobre a origem dos produtos – embora não explícita na regulamentação desejada pela cidade, esta “indicação de origem” é também um ataque aos made in China de muito destes produtos.

 "Veneza diz stop às montras low cost de São Marcos e Rialto”, titula a agência de notícias italiana Ansa, acrescentando, mais precisa e directamente, um alvo: “Nenhuma moda low cost ou souvenir de gama baixa made in China”, interpretam. Quem quiser abrir uma loja terá de respeitar as restrições da resolução aprovada por unanimidade, referindo-se que as medidas pretendem proteger e valorizar o património cultural local, “para que a cidade antiga não perca a sua identidade autêntica”, sublinham, citando a autarquia. 

A medida foi aplaudida por algumas das associações de artesãos e fabricantes locais. “Finalmente! Esta é uma medida positiva e necessária, e esperamos que tenha impacto imediato”, comenta Luciano Gambaro, presidente do Consorzio Promovetro Murano, que representa meia centena de fabricantes do célebre vidro de Murano. 

“Se estes produtos que não são de origem e não têm qualidade estão a ser vendidos na cidade, e os turistas compram estas coisas no meio desse caos, isso acaba por prejudicar não só a economia, como também a nossa imagem”, acrescenta Gambaro. “Ofende e degrada a nossa identidade, tradições, história e cultura”, remata.

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