Modi vai explicar suspensão de autonomia da Caxemira

Foram detidas mais de 500 figuras proeminentes no estado indiano de maioria muçulmana, alguns em rusgas nocturnas.

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Protesto em Lahore, no Paquistão, contra o primeiro-ministro indiano Narendra Modi RAHAT DAR&EPA

A Caxemira é “um assunto interno da Índia”, respondeu Nova Deli à pressão de Islamabad, que expulsou o embaixador indiano, por causa da revogação do estatuto de autonomia da Caxemira – um estado indiano onde a maioria da população é muçulmana e que ao longo dos anos sido motivo permanente de conflitos com vizinho Paquistão.

O primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi deve fazer um discurso transmitido pela rádio esta quinta-feira para explicar a decisão do seu Governo de suspender a autonomia da Caxemira.

A agência noticiosa AFP cita media indianos que relatam a detenção de pelo menos 560 figuras proeminentes na Caxemira, alguns deles presos em rusgas nocturnas. São professores universitários, empresários e activistas políticos, que foram levados para centros de detenção improvisados em várias cidades, como Srinagar, Baramulla e Gurez.

Teme-se que esta decisão seja geradora de violência, logo que os pesados controlos militares sejam levantados – o que poderá acontecer quando se iniciar a festa religiosa muçulmana do Eid, na segunda-feira, diz a AFP.

Um porta-voz das Nações Unidas considerou “profundamente preocupantes” as restrições impostas na Caxemira – que está sob recolher obrigatório desde a madrugada de domingo, com milhares de militares indianos nas ruas, todas as comunicações com o exterior foram cortadas e onde centenas de políticos e activistas foram detidos, relata a BBC.

Num vídeo colocado no Twitter, a ONU reitera as preocupações já antes manifestadas com a situação de direitos humanos na Caxemira, mas diz que com a suspensão do artigo 370 da Constituição indiana, que garantia a autonomia do estado Jammu e Caxemira, “a situação foi exacerbada, chegou-se a um novo nível” de violações.

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