No primeiro dia do passe único, foram as lojas Andante do Porto que ganharam mais movimento

Entrou hoje em vigor o novo tarifário para a assinatura mensal dos passes Andante. O movimento nas lojas aumentou, mas nos metros e autocarros não fugiu do normal.

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Eram 10 horas quando a senha número 381 foi retirada. Dezenas de pessoas enchem a loja Andante da estação de metro da Trindade, no Porto. A fila de espera avança a um passo lento. Uns conversam, outros lêem um livro. E até há quem aproveite o tempo para ir dar uma volta ou tomar o pequeno-almoço. É o primeiro dia do mês e entrou finalmente em vigor o novo tarifário dos passes.

Alfredo Pinto é um dos utentes na fila. Mora em Valongo e trabalha no Porto, uma viagem que faz todos os dias. O padeiro de 60 anos diz ainda não ter renovado o passe. “Para já, vou andar a senhas esta semana. Vim só para carregar o da minha mulher, como ela trabalha mais longe, no aeroporto, a ver se dá essa vantagem que eles dizem”.

A vantagem referida por Alfredo são os tarifários de 30 e 40 euros. Em vigor a partir de hoje, o passe de 30 euros traz um máximo de três zonas e o passe de 40 euros estende-se a todas as zonas da área metropolitana do Porto. Este acesso aos autocarros, metros e comboios da cidade do Porto é, para Alfredo, uma mais-valia: “Eu pagava 38, então pagar 40 para todas as zonas é vantajoso”.

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De acordo com as informações da Andante, apenas precisam de ir a uma loja os utentes com duas zonas que pretendam adicionar outra ou quem quer tirar o passe pela primeira vez. Francisco Gonçalves insere-se no segundo grupo. O jovem de 26 anos chegou às 8h44 e tirou a senha número 169. O tempo de espera permitiu-lhe ler um livro e ainda ir tomar o pequeno-almoço. Francisco é recepcionista de hotel e viaja todos os dias para o trabalho. Espera agora trocar o passe de comboio por um passe único que lhe permita começar a usar mais o metro. “Já é a segunda vez que estou cá”, conta Francisco. A primeira tentativa teve lugar na sexta-feira, mas o elevado número de gente e a indisponibilidade do horário levou a que tivesse de regressar.

"As filas estão péssimas para ir lá renovar"

A loja Andante não é o único sítio em que se pode renovar a assinatura. Quem pretende manter a assinatura anterior, ou até passar de uma assinatura igual ou superior a quatro zonas (Z4), pode fazê-lo nas máquinas de venda automática das estações de metro e comboio.

Ana Borges está numa das filas para a máquina e é uma das utentes duas zonas (Z2) que decidiu renovar a assinatura e aguardar por um momento mais calmo para acrescentar a nova zona gratuita. “Vou primeiro renovar outra vez igual ao mês anterior, porque as filas estão péssimas para ir lá renovar”. A jovem de 21 anos estuda na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o que lhe garante o desconto de estudante.

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O metro vai chegando e partindo, minuto após minuto. Pessoas saem e entram, algumas já com o novo passe nas mãos. Mas para a maioria dos viajantes, o número de pessoas na estação não supera o de um dia normal. “Está sempre muita gente aqui”, diz Miguel Teixeira, estudante da Universidade Fernando Pessoa. O jovem de 18 anos aproveitou a semana passada para tratar do passe e evitar a confusão. “Dantes tinha quatro zonas e pagava 16 euros. Agora tenho todas e fica pelo mesmo preço”, diz, referindo o desconto de estudante de que beneficia.

Luísa Santos é outra utente que já aproveita as vantagens do novo passe. “Posso ir para todo o lado, para onde eu queira. Ao fim de semana, se quero ir passear, posso ir até Espinho. Posso ir para onde eu quiser. Acho que a mim me compensa muito”. A empregada de comércio de 60 anos aproveitou o euro de diferença entre o que pagava e o que paga agora para poder viajar pelo Porto sem limites.

"A zona que me vão dar é um extra"

Na estação de metro da Casa da Música, a situação assemelha-se à da Trindade mas a uma escala menor. Pelas 10h40, a senha número 170 estava a ser atendida. Para além do metro, a estação da Casa da Música também serve de interface para a chegada e partida de autocarros. À espera do autocarro está Maria Seixas. Com 64 anos, a mulher diz ainda não ter tratado do passe, mas revela também não ter pressa em fazê-lo. “As pessoas são tantas que só se deixar de ir trabalhar posso estar ali. Se for lá em baixo vê. Tem para aí 50 pessoas ou mais e aquilo anda em câmara lenta. Isto todos os dias, desde que saiu a notícia”.

“Eu acho que as que estão aí nas filas são as que pagavam 100 euros de passe. Havia pessoas que iam para fora do Porto, por exemplo para a Póvoa, que tinham que ter o passe normal e ainda pagar aquelas zonas por fora. São mais essas pessoas desesperadas que estão na fila”. No seu caso, a diferença é pouca. “Eu vou para o mesmo sítio onde vou trabalhar. A diferença foi de 22 para 23, foi um euro e pipo. A zona que me vão dar é um extra”.

Maria tem um passe com duas zonas (Z2) e decidiu manter a assinatura, mas tem um plano para passar para Z3. “Eu deixo as pessoas ir todas a correr. E só quando chego a dia 17, quase 20, e já não está ninguém, então eu vou. Eu acho que muita gente que está lá nem trabalha. Eu não, tenho que ir trabalhar e já estou atrasada”.

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Multibanco com problemas

Os utentes que pretendam manter a assinatura, ou que têm uma assinatura igual ou superior a Z4, não estão limitados às lojas andantes e máquinas das estações de metro e comboio. O carregamento mensal pode também ser feito em bilheteiras da CP, em payshops e operadores privados integrados no SIA.

Contudo, as tentativas de carregamento dos passes de 40 euros no multibanco têm registado problemas. “A rede multibanco não consegue assumir o carregamento da assinatura de toda a rede Andante,” afirma uma fonte do TIP – Transportes Intermodais do Porto. “É algo que foi pedido à SIBS [grupo detentor da rede Multibanco] mas ainda não conseguiram disponibilizar essa funcionalidade”. Ainda não há previsão de quando a situação vai ser resolvida, mas os clientes estão a ser avisados.

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