Vaga de ataques contra capacetes azuis e tropas da UE no Mali faz oito mortos

Os ataques não foram reivindicados, mas a suspeita recai nos grupos jihadistas no território. Portugueses no centro de treino da UE ilesos.

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Reuters

Homens armados atacaram na madrugada deste domingo uma base dos capacetes azuis (tropas ao serviço da ONU) no Norte do Mali, matando oito soldados do Chade. Um outro ataque, duplo, foi realizado contra uma base militar da União Europeia em Koulikoro – os quatro portugueses ali estacionados não sofreram ferimentos, informa em comunicado o Estado-Maior General das Forças Armadas portuguesas.

"De acordo com o novo balanço, ainda provisório, pelo menos oito capacetes azuis foram mortos" em Aguelhok, disse uma fonte da missão, a MINUSMA, citado pela France 24. 

Uma fonte diplomática disse à agência AFP que alguns dos atacantes foram mortos na resposta.

Este ataque ocorreu às primeiras horas de domingo e o alvo foi uma base a 200 quilómetros de Kidal, numa base não longe da fronteira com a Argélia.

"As tropas de manutenção de paz da MINUSMA em Aguelhok enfrentaram um ataque sofisticado feito por atacantes que chegaram em vários veículos armados", disse Mahamat Saleh Annadif, o representante especial da ONU no Mali. O "ataque cobarde ilustra a determinação dos terroristas em espalhar o caos. E exige uma resposta robusta e concreta da parte de todas as forças para destruir o perigo do terrorismo no Sahel".

Um ataque em Abril do ano passado na mesma base matou dois capacetes azuis e deixou vários feridos. No ano anterior tinham sete.

Mais de 1300 capacetes azuis estão estacionados no Mali integrando a missão de manutenção de paz da ONU criada depois do Nordeste do Mali ter sido ocupado por milícias jihadistas. Foram expulsas em 2013, e em 2015 foi assinado um acordo de paz entre o Governo de Bamako e vários grupos armados. 

Porém, o acordo de paz não travou a acção dos grupos terroristas jihadistas, que também atacam nos vizinhos Burkina Faso o no Níger.

A base de tropas da missão da União Europeia atacada fica a 59 quilómetros de Bamako, perto das margens do rio Níger. Portugal tem 12 militares no Mali na missão da UE que visa tornar "as suas Forças Armadas [do país] auto-sustentáveis e capazes garantir a segurança e a defesa do território", explica o comunicado do Estado-Maior português.

Em Julho de 2017, um militar português de 42 anos foi morto num ataque contra uma base da União Europeia perto de Bamako.

“Os dois ataques à base de Kuolikuoro foram consecutivos: com um carro armadilhado e armas de assalto e visaram o Centro de Treino de Kuolikuoro", explicita um comunicado do Ministério da Defesa de Espanha, que também tem tropas neste local. Primeiro explodiu o carro armadilhado, depois foram usadas armas de fogo - o ataque durou perto de uma hora, segundo o ministério espanhol citado pelo jornal ABC.

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