Future simboliza as novas gerações e foi pintada com tinta biodegradável

O artista suíço Saype pinta em campos verdes com tintas 100% biodegradáveis. A última obra, Message From The Future, atingiu os 5000 metros quadrados.

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Message from the future, Genebra, 2018. Saype/Instagram
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Ecologiy as a tradition, Rússia, 2018. Saype/Instagram
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Present by future, Belfort, 2018. Saype/Instagram
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Story of The Future, Suíça, 2017. Saype/Instagram
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'Un Grand Homme et l'avenir?', Luxemburgo. 2017 Saype/Instagram

Já alguma vez pensaste em pintar um graffiti com tinta 100% biodegradável? E juntar a isso um enorme campo verde? O artista suíço Saype é pioneiro nesta área e começou bem cedo. Aos 14 dava os primeiros passos na arte de "grafitar", aos 16 já estava a expor as primeiras obras numa galeria. Hoje, aos 29, Guillaume Legros — ou melhor, Saype — faz as suas criações em grandes campos de relva. Em 2018, com o trabalho Message From The Future, chegou aos 5000 metros quadrados em Genebra, na Suíça.

Na obra, a menina chamada Future "simboliza as gerações que hão-de vir", disse o artista à CNN. "Aqui temos uma menina que lança um barco de origami como uma mensagem de esperança", prosseguiu. Message From The Future quer ajudar a recolher apoio para a organização francesa SOS Méditerranée, que presta ajuda no resgate a migrantes presos em barcos no Mar Mediterrâneo.

Há cinco anos que o artista desenha imagens efémeras com tinta biodegradável em grandes campos, mas foi em 2016 que os holofotes mediáticos se viraram para ele que, com a pintura Un Grand Homme, bateu o recorde mundial: foram 10 mil metros quadrados de obra. Três meses e muitos quilómetros depois, sempre a pé para transportar as latas que perfazem um total de 650 litros de tinta, o resultado foi uma figura masculina, de chapéu e suspensórios, a fumar o seu cachimbo enquanto o olhar se perde no horizonte.

Pintura "Un Grand Homme", de Saype.

Mas como se faz uma tinta biodegradável? Saype trabalhou durante algum tempo na receita mágica: óleo de linhaça, água e farinha misturados com pigmentos naturais que resultam numa tinta que, depois de seca, forma uma espécie de cola resistente à chuva.

O ser humano é a figura central da arte de Guillaume Legros, que o pinta segundo uma lógica humanista e ecológica. Na base dessa escolha estão as questões filosóficas e sociais relativas ao lugar deste na sociedade que o artista cruza.

O segredo das criações de Saype centra-se, entre outras particularidades, em ter uma relva bem aparada, já que, com o passar do tempo, esta vai crescendo — o que, além do clima, determina o tempo de vida de cada criação. O resto do trabalho confunde-se com o de outros artistas contemporâneos: uma fotografia sobre o assunto a tratar e o posterior reconhecimento do terreno. A partir daí, é carregar a pistola e começar a disparar tinta. 

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"Which legacy?" Saype/ Instagram
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