Costa defende comboios como "prioridade" e por isso é preciso "fazer o que ainda não foi feito"

Primeiro-ministro diz que a "prioridade" é a ferrovia e que o Governo está a correr atrás do prejuízo fazendo "o que não foi feito"

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ADRIANO MIRANDA
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LUSA/MIGUEL PEREIRA DA SILVA

Numa altura em que a ferrovia está na ordem do dia, António Costa foi mostrar que o Executivo está a "realizar obra" nesta área e que as coisas só não estão melhores porque houve muito investimento que não foi feito. Foi, aliás, pegando numa estrofe conhecida de uma música de Pedro Abrunhosa que o primeiro-ministro repetiu a ideia que está a recuperar tempo perdido: "Estamos a fazer aquilo que não foi feito", referiu.

António Costa, com o ministro do Planeamento e Infra-estruturas Pedro Marques ao lado, falava aos jornalistas na visita às obras na linha que liga a Beira Baixa à Beira Alta, da Covilhã até à Guarda para reforçar a ideia que o Executivo não está parado. "Durante décadas o país andou concentrado na rodovia (...). Felizmente, mudámos de paradigma e hoje há uma grande consenso, de que só me posso regozijar, nacional, para dar uma nova prioridade à ferrovia", disse referindo-se indirectamente às várias críticas que têm dominado o espaço mediático durante o verão.

Para explicar o atraso, pegou no exemplo da linha agora em obras para dizer que se tivesse havido trabalho anterior feito, quer no que diz respeito a obras, quer no que diz respeito à aquisição de material circulante, hoje haveria menos queixas: "A ligação entre a Covilhã e a Guarda estava encerrada há 10 anos", começou por dizer. "Fizemos a encomenda [de material circulante]. Temos de ter a noção do seguinte, se a linha não tivesse sido encerrado há 10 anos, o sr presidente da câmara da Covilhã podia ter vindo até aqui de comboio, se tivesse começado há 5 anos, já estava feito. Se os comboios tivessem sido encomendados há 5 anos, estávamos aqui a estreá-los", referiu.

"Não temos só um programa, temos obra de concretização do programa", insistiu.

A intenção do Governo é que esta linha esteva "restabelecida" em meados do próximo ano. Mas, garantiu Costa, o objectivo é realizar mais obra, porque estas "são essenciais para a revitalização do interior". Em causa está as ligações a Espanha que passam pela linha que sai de Sines e também pela linha do Minho. "Todas elas permitirão ter uma melhor conexão para a península ibérica, que as torna mais atractivas", referiu. "Agora a prioridade é a ferrovia e é nessa prioridade que temos de nos concentrar", concluiu.

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