Good2Go, a “app” para garantir que o sexo é consensual

Aplicação móvel norte-americana quer “impedir ou reduzir os abusos sexuais, a falha de comunicação” ou atitudes de que jovens adultos se podem arrepender. A Good2Go é grátis — mas não consensual

Para evitar que os universitários e jovens adultos se arrependam do que fizeram na noite anterior — ou acabem a fazer algo em que não consentiram —, uma empresa norte-americana lançou uma aplicação móvel que quer prevenir mal-entendidos. A Good2Go é gratuita e potencia “uma pausa antes da actividade sexual”, para que ambas as partes possam pedir e obter consentimento.

“Temos esperança de reduzir o número de ataques e ‘encontros lamentados’, melhorando a comunicação antes do início da actividade sexual”, pode ler-se no site da aplicação, disponível para smartphones com sistema operativo Android e iOS.

Através de um questionário que avalia a sobriedade de ambas as partes, a aplicação procura uma resposta à pergunta: “Are we good to go?”, algo como “Podemos avançar?”. As hipóteses são três: “Não, obrigada”, “Sim, mas... precisamos de falar” e “Sim, estou pronto/a”.

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A criadora da aplicação diz que um dos objectivos é que os potenciais parceiros sexuais conversem antes passarem à acção

O objectivo é que a conversa prévia envolva o smartphone, uma vez que a aplicação pressupõe que seja apresentada em mãos. Um dos potenciais parceiros — que tem de já ter feito o “download” da “app” —, mostra o ecrã à outra pessoa, que assim responderá à pergunta inicial. Caso a resposta seja afirmativa e sem qualquer dúvida, a Good2Go avalia a sobriedade de ambos, com quatro opões: “sóbrio”, “moderadamente embriagado”, “embriagado mas pronto para ir” ou “de rastos”.

Com excepção da última hipótese, que deverá pôr um ponto final na conversa, as outras três obrigam ao registo do número de telemóvel para validação — e aqui entra a garantia do consentimento, defende a criadora Lee Ann Allman. O outro elemento recebe um código por SMS e deverá introduzi-lo na “app”, ficando registado que a eventual relação sexual foi totalmente consentida por ambas as partes.

E é neste ponto que a aplicação mais gera polémica. Como sublinha Caitlin Dewey num artigo publicado no “Washington Post”, os utilizadores da Good2Go fornecem, de livre vontade, informações pessoais sobre com quem e quando dormiram, quão embriagados estavam — e, claro, o número de telemóvel necessário para selar o consentimento. Além de que, no caso de uma das pessoas mudar de ideias (situação para a qual a “app” chama a atenção ao longo do processo, dizendo que é normal acontecer), passa a existir uma prova de que inicialmente terá concordado. Isto é potencialmente utilizável em casos de violação em que é a palavra de um contra o outro, realça a “Slate”.

Lee Ann Allman ter-se-á decidido a criar a Good2Go após ter conversado com os seus filhos, em idade de frequentarem a universidade, sobre ataques sexuais que aconteceram nos “campi” dos Estados Unidos. Em Junho último, um artigo de blogue “Hit&Run”, do site “Reason”, defendia, precisamente, a criação de uma aplicação para consentir o sexo, após várias notícias sobre violações em universidades norte-americanas.

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