Rita Rato: se não fosse “o partido” talvez já tivesse emigrado

É uma das mais jovens deputadas do parlamento e a vida dela seria "completamente diferente" se não fosse o Partido Comunista. Com ele, "existe sempre uma razão de esperança e de confiança"

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“Ser deputado não é uma profissão”, diz Rita Rato Adriano Miranda

Era o partido que andava pela escola, a mobilizar e a esclarecer os estudantes, e pela universidade, quando Rita Rato trocou o Alentejo por Lisboa para estudar Ciência Política e Relações Internacionais. Foi por isso – e também pelo “prestígio” do Partido Comunista Português (PCP) no Alentejo – que a jovem decidiu filiar-se.

Passaram doze anos. Rita Rato é funcionária do PCP a título permanente, deputada na Assembleia da República desde 2009, a título temporário (“ser deputado não é uma profissão”). E a vida dela seria “completamente diferente” sem o PCP: “Existindo o partido – nós chamamos-lhe assim, o partido – existe sempre uma razão de esperança e de confiança de que temos de lutar por uma vida melhor”.

“Não sendo comunista não teria tido esta confiança e mais facilmente me abateria perante a situação da juventude. Não sei se estaria ainda em Portugal ou se já teria emigrado”, conta a deputada, de 29 anos, numa entrevista ao P3.

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Rita Rato tem 29 anos e é deputada do PCP desde 2009 Pedro Cunha

A escolha do PCP - partido pelo qual foi a terceira candidata na lista apresentada à Assembleia da República pelo círculo de Lisboa nas últimas eleições – “não foi por nenhuma hereditariedade”, diz Rita Rato. E acrescenta: “Existe aquele estereótipo que os comunistas são sempre filhos de comunistas, que são todos uma grande família, que os comunistas se casam com comunistas e que os filhos de comunistas têm de ser comunistas".

Deputada acusa comunicação social de silenciar posições do PCP

Jotas: "carreirismo" e "tacho"

Na família de Rita Rato, só o avô era militante comunista. O pai não é filiado, mas é uma falso boato que tenha sido contra a entrada da filha no partido comunista: "Isso é uma deturpação que se faz de uma entrevista que eu dei. O meu pai sabe que ser comunista é uma tarefa difícil e que se decidisse ser militante de outro partido seria mais fácil, daí a preocupação dele". 

A ideia negativa associada às juventudes partidárias é “natural”, diz Rita Rato, que fala em “carreirismo” e “tacho”: “Infelizmente, se formos ver o percurso de algumas pessoas, está muito associado a isso”. Mas a deputada, natural de Estremoz, reclama para o PCP o título de “partido diferente”. “ Sendo deputada do PCP, não aufiro rendimento de deputada. Vivemos exactamente com o mesmo rendimento que vivíamos antes.”

Rita Rato está preocupada com o comportamento eleitoral em geral, mas não com o comportamento dos jovens em particular, que “tende a acompanhar a globalidade dos eleitores”. De quem é a culpa? “Perante um conjunto de exemplos, segundo os quais se diz em período eleitoral que se vão fazer coisas que não são feitas depois, existe um descrédito generalizado que, infelizmente, não se transforma em luta e em alternativa política no PCP”. Isso resulta da forma de estar dos "sucessivos Governos ao serviço dos grupos económicos e financeiros – sejam de do PS sejam do PSD e CDS".

A dificuldade em passar a mensagem, acusa a deputada, também se deve a um “apagamento e silenciamento” das posições dos comunistas por parte da comunicação social: “Se fizermos uma análise rigorosa - e a Entidade Reguladora para a Comunicação Social faz - daquela que é a participação do PCP nos órgãos de comunicação, há uma sub-representação clara”.

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