Equador corta (outra vez) acesso à Internet a Julian Assange

Os comentários do fundador da Wikileaks sobre o caso Skripal nas redes sociais levaram o Governo equatoriano a avançar com a decisão de lhe cortar o acesso à Internet.

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Assange vive na embaixada do Equador desde 2012 LUSA/ANDY RAIN

Julian Assange vai ser outra vez castigado. O Governo do Equador confirmou, nesta quarta-feira, que vai cortar o acesso à Internet ao fundador da Wikileaks, que há mais de cinco anos vive na representação diplomática do país em Londres.

No final de 2017, Assange prometeu não interferir nas relações internacionais do Equador, mas, no entender do Governo equatoriano, está a faltar ao prometido. 

“O Governo do Equador adverte que o comportamento de Assange, com as suas mensagens nas redes sociais, põe em risco as boas relações que o país mantém com o Reino Unido, com o resto dos Estados da União Europeia e com outras nações”, lê-se no comunicado do Governo equatoriano.

Na passada segunda-feira, o fundador da Wikileaks usou o Twitter para criticar a decisão de 20 países ocidentais que expulsaram diplomatas russos das suas fronteiras, na sequência da investigação ao envenenamento de um antigo espião russo, Sergei Skripal e da sua filha, Iulia. Assange questionou ainda se Moscovo seria mesmo responsável pelo envenenamento.

“Ainda que seja razoável que Theresa May queira olhar para o Estado russo enquanto o principal suspeito, até agora as provas são circunstanciais e a Organização para a Proibição de Armas Químicas ainda não confirmou [o envolvimento russo], permitindo que o Kremlin continue a sustentar a sua tese de perseguição”, escreveu Assange no Twitter, a 26 de Março.

Os seus comentários valeram-lhe a resposta do deputado do Partido Conservador britânico, responsável pelos Assuntos Exteriores, Alan Duncan, que lhe chamou "pequena lesma miserável", num debate na Câmara dos Comuns, na terça-feira, escreve a Reuters.

Já não é a primeira vez que Assange fica sem Internet. Em 2016, o Equador cortou-lhe o acesso à Internet por considerar que havia potencial de interferência nas eleições presidenciais norte-americanas. A decisão foi tomada pouco depois de a Wikileaks ter publicado uma série de e-mails enviados e recebidos pela então candidata democrata Hillary Clinton.

Assange vive na embaixada equatoriana em Londres desde 2012. O fundador da Wikileaks requereu asilo junto do Governo equatoriano para evitar ser extraditado para a Suécia, onde seria julgado por alegados crimes sexuais, que sempre negou ter cometido. A justiça sueca arquivou o caso em Maio de 2017, mas Assange continua impedido de sair da embaixada do Equador.

Assange receia ser detido pelas autoridades britânicas e deportado para os Estados Unidos, onde pode ser julgado pela publicação de documentos militares e diplomáticos confidenciais. A WikiLeaks, lançada em 2006, divulgou ilegalmente, em finais de Novembro de 2010, milhares de telegramas diplomáticos norte-americanos, tornando Julian Assange e o seu site um alvo da Administração norte-americana.

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