Trump ameaça paralisar o Governo caso o Congresso não aprove financiamento do muro

O Presidente norte-americano discursou em Phoenix, culpando os media pela polémica com as suas declarações sobre Charlottesville.

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O Presidente norte-americano ameaçou paralisar o Governo caso o financiamento para a construção do prometido muro na fronteira com México — para travar a imigração ilegal proveniente da América Latina — não seja aprovado pelo Congresso. Donald Trump falava na noite desta terça-feira, em Phoenix, onde se apresentou como a principal vítima de Charlottesville e deu ainda a entender que um perdão ao xerife Joe Arpaio é um cenário altamente provável.

“Então, o xerife Joe foi condenado por cumprir o seu trabalho?”, pergunta Trump à multidão. “Sabem que mais? Vou fazer uma previsão: acho que ele vai ficar bem, ok? Não irei falar sobre isso esta noite porque não quero causar nenhuma controvérsia. Mas o xerife Joe deverá sentir-se bem”, antecipou Trump, dando a entender que irá avançar com um perdão presidencial, um assunto que vem sendo avançado nas últimas semanas.

Escreve a CNN que a Administração Trump não consultou ainda o Departamento da Justiça, o organismo que gere este tipo de pedidos. Pode isso significar que Trump poderá avançar sozinho para um perdão, um poder presidencial previsto na Constituição norte-americana. A atribuição de um perdão presidencial a um aliado político, que durante anos ignorou ordens judiciais e deteve pessoas com base na suspeita de que seriam imigrantes ilegais, é uma decisão controversa.

Joe Arpaio, conhecido como o "o xerife mais duro da América", está actualmente detido e aguarda julgamento.

Quem é o xerife Joe?

O comício (o Washingnton Post fala em discurso de campanha, uma vez que foi o próprio Trump quem anunciou um regresso à campanha eleitoral imediatamente após vencer a presidência) foi marcado por criticas à oposição e aos meios de comunicação social, por não saberem “transmitir a verdadeira mensagem” do Presidente.

Donald Trump considera-se “a verdadeira vítima” dos acontecimentos em Charlottesville. Para o Presidente norte-americano, a culpa foi dos jornalistas que “não gostam” dos EUA e que, de acordo com Trump, são a fonte da divisão no país. Trump leu em Phoenix o discurso que fez dois dias depois da manifestação de extrema-direita que resultou na morte de uma mulher, que integrava o grupo de anti-manifestantes que ocupava as ruas da cidade, atropelada mortalmente por um dos supremacistas brancos. No discurso original, Trump culpava, repetitivamente, “os muitos lados” responsáveis pela violência em Charlottesville. Na leitura que fez esta terça-feira, uma semana depois, Trump culpou os media pela interpretação “errada” do seu discurso, lendo novamente as suas declarações e omitindo a parte em que atribuía a culpa aos “muitos lados” [many sides]. Seguiu então a atacar os principais jornais norte-americanos, destacando a CNN — “é tão má e patética e os ratings estão a cair”. A multidão respondeu, entre gritos, que “a CNN não vale nada!”.

Trump lembrou ainda Jeffrey Lord, um antigo colaborador do canal norte-americano, que foi despedido por tweetar uma saudação nazi a um activista liberal. “Pobre Jeffrey”, lamentou Trump.

O Presidente norte-americano ridicularizou ainda o grupo de manifestantes que protestava no exterior do Centro de Convecções de Phoenix. Os manifestantes foram afastados pelas autoridades com bombas de fumo e gás pimenta, depois de terem sido alegadamente atiradas garrafas de plástico. Conta a CNN que o “protesto pacífico” de milhares de pessoas se transformou num cenário caótico depois da intervenção das autoridades. Um helicóptero da polícia circulou na zona da manifestação ordenando aos manifestantes para abandonarem a zona. No terreno, agentes da polícia ordenavam à multidão que abandonasse o local sob ameaças de detenção.

De acordo com o sargento Jonathan Howard, a resposta da polícia surgiu depois de os manifestantes terem atirado pedras e garrafas contra os agentes. No total, foram detidas pelo menos cinco pessoas e dois agentes foram tratados por exaustão de calor, mas não há relato de agentes feridos.

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