Vendas para Angola baixaram mais de mil milhões

Exportações para este mercado, que perdeu duas posições no ranking de maiores compradores, caíram quase 34% em 2015.

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Em valor, o sector mais afectado foi o das máquinas e aparelhos Nuno Ferreira Santos

O forte recuo das vendas de bens para Angola fez com que este mercado passasse de quarto maior para a sexta posição, ultrapassado pelo Reino Unido e EUA. No segundo caso, o facto de Angola perder o estatuto de maior mercado extra UE deve-se principalmente ao forte recuo das vendas de bens portugueses, a que acresce a subida das exportações para os Estados Unidos. De acordo com os dados do INE, as vendas para Angola reduziram-se 1074 milhões de euros (-33,8%) entre 2014 e 2015, fruto da crise que atravessa este país africano (devido ao baixo preço do petróleo, do qual é dependente em termos de receitas). Ao todo, as vendas ficaram-se pelos 2102 milhões de euros em termos anuais (o montante mais baixo dos últimos cinco anos).

Em valor, o sector mais afectado foi das máquinas e aparelhos que, só por si, vendeu menos 303 milhões de euros, cerca de 28% do recuo total. Depois, segue-se o sector dos produtos alimentares, com menos 190 milhões de euros. A forte quebra do investimento e do consumo, com restrições às importações, fizeram com que estes dois sectores fossem os mais afectados. A forte queda também se explica pelo facto de serem os que mais exportam para Angola.

Já o sector da madeira e cortiça não está muito exposto a este mercado, mas sofreu uma queda de quase 50%. Em 2015, as vendas não foram além dos 19 milhões de euros, quando no ano anterior tinham atingido os 36,7 milhões.

Os dados do INE, divulgados no final da semana passada, permitem perceber que os últimos meses do ano foram também os que sofreram as maiores perdas, já que a época natalícia, normalmente acompanhada de maior consumo e importações, esbarrou de frente com a crise e falta de divisas. Em Dezembro, por exemplo, o recuo foi de 45% em termos homólogos, cabendo a maior diferença ao mês de Outubro (-50%).

Para este ano, e com os preços do petróleo a continuarem em baixa, não se perspectivam boas notícias para as empresas que vendem os seus produtos para Angola, com a manutenção de uma conjuntura negativa. De acordo com os últimos dados do INE, entre Janeiro a Setembro do ano passado, havia 3605 empresas cujo único mercado externo era Angola, o que representa quase menos 1000 empresas face a idêntico período do ano anterior.

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