Legionella: Ministério pede a enfermeiros para não fazerem greve nas datas marcadas

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Manuel Teixeira, secretário de Estado da Saúde Daniel Rocha

O Ministério da Saúde pediu ao Sindicato dos Enfermeiros para reconsiderar as datas da greve nacional, marcada para esta sexta-feira e para dia 21, tendo em conta o cenário "extraordinário" do surto de Legionella.

Numa carta, com data de quarta-feira e a que a agência Lusa teve acesso, o Ministério afirma recear que a greve, a acontecer nos dias anunciados, "possa comprometer a prestação de cuidados de saúde", considerando que estão em causa "necessidades em saúde indispensáveis e inadiáveis".

"Sem questionar o direito constitucional à greve, solicita-se que, tendo em conta o interesse público e o cenário epidemiológico extraordinário actual, se dignem avaliar a oportunidade da paragem laboral já decretada, as consequências nos cuidados prestados às pessoas e a percepção social sobre a greve e os seus riscos", refere a carta assinada pelo secretário de Estado da Saúde, Manuel Teixeira.

O Ministério argumenta que o surto de Legionella "ainda não se encontra debelado, podendo ainda aumentar o número de doentes com necessidade de cuidados de saúde" bem como a necessidade de recursos humanos, nomeadamente enfermeiros.

Indica ainda que não é possível estimar a evolução do número de infectados por Legionella, nem quantificar o número de enfermeiros indispensáveis para assegurar os cuidados de saúde exigidos.

"(...) Nesta situação de desafio excepcional torna-se ainda mais importante que todos os agentes do sector demonstrem o grau de profissionalismo e responsabilidade que tem sido a chave do sucesso na resposta aos desafios do momento", refere também a carta dirigida ao presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).

O SEP anunciou no início da semana uma greve nacional de dois dias, esta sexta-feira e dia 21 deste mês, em protesto pelos cortes salariais nas horas extraordinárias, exigindo a progressão na carreira e a reposição das 35 horas de trabalho semanais.

O surto de Legionella com origem no concelho de Vila Franca de Xira infectou, até quarta-feira, 302 pessoas e o número de mortos pode subir para nove, segundo dados oficiais.

Num comunicado com a situação actualizada até às 15h de quarta-feira, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) fala também em nove mortes, explicando que cinco deles morreram de facto devido à Legionella e que os outros quatro permanecem em investigação.

A confirmarem-se os quatro casos, sobe para nove o número de mortos.

A Legionella, que provoca pneumonias graves e pode ser mortal, foi detectada na sexta-feira, no concelho de Vila Franca de Xira.

O secretário de Estado da Saúde, Fernando Leal da Costa, disse quarta-feira que as autoridades estão convictas de que eliminaram todas as fontes de contaminação por Legionella em Vila Franca de Xira e que o assunto "está resolvido".

Leal da Costa acrescentou que "há um conjunto de investigações que estão a ser feitas", mas não apontou qualquer local em concreto.

A doença do legionário, provocada pela bactéria Legionella pneumophila, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

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