Paulo Rangel defende voto preferencial para abrir o sistema político

Eurodeputado do PSD admite que se devia dar aos eleitores, já nas europeias, o poder de escolher quem são os candidatos que vão em primeiro lugar, em vez de ser uma escolha dos partidos.

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Paulo Rangel é o cabeça de lista da coligação PSD/CDS nas europeias Nelson Garrido

O eurodeputado do PSD Paulo Rangel manifestou-se este sábado disposto a propor ao PSD a aceitação do voto preferencial que dá aos cidadãos a possibilidade de ordenar as listas de candidatos.

"Eu acho que o próprio PSD, e eu estarei disposto a fazer essa proposta, devia avançar no sentido de aceitar o voto preferencial", disse Paulo Rangel aos jornalistas, em Coimbra, à margem de uma conferência sobre a revisão constitucional.

"Em vez de serem os partidos a ordenar as listas, seriam os eleitores a ordenar a hierarquia da lista. Com uma boa campanha eleitoral penso que seria uma novidade interessante", disse. Rangel assumiu que a proposta é "arrojada" mas argumentou que não terá custos para o Estado e constituirá "um sinal de devolução do poder à população".

A mudança, adiantou o eurodeputado do PSD, que falava numa conferência promovida pelo Fórum Democracia e Sociedade, dará "outra força ou legitimidade" aos deputados eleitos.

Aludindo à reforma do sistema político, considerou-a uma reforma "fundamental", alegando que o atual sistema, "fechado" e centrado nos partidos "está esgotado".

Defendeu, a esse propósito, a mudança do sistema eleitoral para a Assembleia da República, com introdução dos círculos uninominais e abertura a candidaturas independentes.

"Podia-se aceitar independentes. É importante porque obriga os partidos a deixar critérios clubísticos e fazer escolhas com critérios racionais".

Presente no debate, o eurodeputado do PS, Vital Moreira, admitiu que o novo modelo possa vir ser atraente, defendendo que ele seja testado nas eleições europeias, embora a título experimental.

O eurodeputado do PS explicou que em vez dos nomes dos partidos, nos boletins de voto passaria a estar o nome das forças partidárias e os seus candidato.

O voto preferencial "passaria a dar poder de escolha aos eleitores, não só no partido mas passava a ser um buffet de onde escolheriam os seus candidatos", ilustrou.

Embora lembrando que o sistema está em vigor em vários países, Vital Moreira avisou que "muito poucos" eleitores alteram a ordem dos candidatos, o que permite "a uma minoria" decidir uma hierarquia diferente da lista apresentada pelo partido.

Por outro lado, segundo Vítor Moreira, passariam a existir duas campanhas eleitorais - a dos partidos e a dos candidatos - e a "tentativa" do financiamento separado, disse.


 
 

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