Trump nomeia novo director do FBI antes de Comey depor no Senado

Christopher A. Wray foi procurador-geral assistente entre 2003 e 2005 e é nomeado para substituir James Comey, despedido pelo Presidente norte-americano no mês passado. Comey vai ser ouvido quinta-feira no Senado.

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Christopher Wray já trabalhou sob as ordens de James Comey Molly Riley/Reuters (Arquivo)

O Presidente norte-americano, Donald Trump, nomeou o advogado Christopher A. Wray para o cargo de director do FBI. Se for aprovado pelo Senado, Wray vai substituir James Comey, que foi despedido por Trump no dia 9 de Maio, e que vai ser ouvido quinta-feira no Congresso sobre o envolvimento da Rússia na campanha para as eleições presidenciais.

Wray vem do sector privado, onde trabalhava na empresa de advogados King & Spalding desde 2005, mas tem um passado no Departamento de Justiça dos Estados Unidos – o departamento a que responde o FBI.

Em 1997 entrou para o gabinete da procuradoria do estado da Georgia, e depois foi subindo na hierarquia – primeiro como assistente adjunto do procurador-geral e depois como primeiro assistente adjunto do procurador-geral. Em 2003, o então Presidente George W. Bush nomeou-o assistente do procurador-geral, responsável pela Divisão Criminal, onde ficou até 2005. Foi nesse período, entre 2003 e 2005, que Christopher A. Wray trabalhou sob as ordens de James Comey, então procurador-geral ajunto dos Estados Unidos.

Licenciado em Direito pela Universidade de Yale em 1992, Wray começou a carreira no sector privado na empresa King & Spalding – para onde regressou em 2005, quando saiu do Departamento de Justiça. 

É considerado um dos melhores advogados de criminalidade económica e financeira e durante o tempo em que trabalhou no Departamento de Justiça foi responsável por várias investigações nessa área (como o escândalo da Enron), mas também em casos de terrorismo.

O seu nome voltou a ser falado mais recentemente, a partir de 2013, quando representou o governador de Nova Jérsia, Chris Christie, no escândalo do encerramento de duas vias de acesso à Ponte George Washington, em Setembro de 2013.

O encerramento provocou um gigantesco engarrafamento em hora de ponta, no primeiro dia do novo ano escolar, numa das entradas de Fort Lee. O julgamento do caso terminou com as condenações de dois responsáveis nomeados por Christie – o motivo não ficou provado, mas a tese mais partilhada é que as vias foram fechadas numa vingança contra o mayor de Fort Lee, Mark Sokolich, por não ter apoiado a candidatura de Chris Christie à reeleição como governador. Até agora ninguém provou que Christie esteva envolvido no plano, mas a sua popularidade foi tão afectada que passou de forte candidato à nomeação à Casa Branca pelo Partido Republicano a figura secundária e ridicularizada durante as eleições, no ano passado.

Nomeação consensual

Depois de ter sido nomeado assistente do procurador-geral por George W. Bush, em 2003, Christopher A. Wray foi aprovado por todos os membros do Senado. Se o mesmo acontecer agora (ou se tiver pelo menos os votos dos senadores do Partido Republicano, que está em maioria no Senado), irá ocupar o lugar de James Comey, despedido a 9 de Maio pelo Presidente Donald Trump.

A tensão entre Trump e o então director do FBI já vinha de trás – apesar de estar registado como eleitor do Partido Republicano, Comey foi nomeado por Barack Obama em 2013, e a forma como geriu a investigação aos emails de Hillary Clinton, no ano passado, valeu-lhe críticas de ambos os lados. Primeiro do Partido Republicano, quando disse que não encontrou razões para recomendar ao Departamento de Justiça uma acusação formal contra a então candidata à Casa Branca, e depois do Partido Democrata, quase em cima das eleições, quando disse que seria necessário investigar outros emails ligados a Clinton – por causa desta decisão, tem sido acusado pelo Partido Democrata e por Hillary Clinton de ser um dos responsáveis pela vitória de Donald Trump.

O corte com o Presidente aconteceu a 9 de Maio. Nesse dia, Donald Trump disse que Comey iria para a rua por sugestão do procurador-geral adjunto, após uma investigação interna sobre a forma como geriu o seu trabalho durante a campanha presidencial do ano passado. Mas o Presidente acabou por reconhecer, 48 horas depois, que já tinha tomado a sua decisão, e que o relatório do procurador-geral adjunto não foi o principal motivo.

Enquanto director do FBI, James Comey era responsável pela investigação criminal às suspeitas de conluio entre membros da campanha de Donald Trump e o Governo da Rússia para manipularem a campanha eleitoral. Numa das vezes que foi chamado ao Congresso para depor, Comey revelou que o FBI estava mesmo a investigar o caso, e que ninguém estava fora do âmbito dessa investigação – incluindo o Presidente Donald Trump, que tem negado qualquer envolvimento.

Depois de os jornais americanos terem noticiado que James Comey escreveu num memorando que se sentiu pressionado por Donald Trump para travar a investigação ao ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn, a Comissão de Serviços Secretos do Senado chamou-o para testemunhar esta quinta-feira.

Depois da saída de James Comey, o Departamento de Justiça nomeou um investigador especial para liderar esse caso, numa decisão que não terá agradado a Donald Trump, segundo uma notícia desta quarta-feira do New York Times. Segundo o jornal, o procurador-geral, Jeff Sessions (nomeado por Trump) chegou mesmo a pôr o seu lugar à disposição depois de se ter afastado voluntariamente da investigação que o seu próprio departamento estava a realizar – no ano passado, Sessions reuniu-se com o embaixador russo em Washington, Sergei Kisliak, mas não revelou esse facto ao Senado durante a audição para a sua confirmação como procurador-geral.

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