Partidos aliados de Temer já preparam a sucessão do Presidente brasileiro

PMDB e PSDB iniciam negociações para preparar a sucessão a Michel Temer. E já há um nome favorito.

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LUSA/Joedson Alves

No meio da crise política que envolve o Presidente do Brasil, que se agravou com a divulgação de uma gravação em que Michel Temer aparenta autorizar um suborno ao antigo líder da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, os partidos que apoiam o actual chefe de Estado começam a preparar-se para o cenário de uma destituição e terão já escolhido os candidatos à Presidência e vice-presidência.

Segundo noticia a Folha de São Paulo, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMBD), de Temer, e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) conduzem negociações de bastidores, tendo criado já uma lista de potenciais candidatos. Os favoritos serão Nelson Jobim, do PMBD, e Tasso Jereissati, do PSDB, apontados como candidatos a Presidente e vice-presidente, respectivamente.

Como diz a Folha, Jobim é neste momento o favorito devido à sua ligação ao PT, tendo sido ministro da Defesa dos Governos de Dilma Rousseff e de Lula da Silva. Terá também o apoio do PSDB, pois liderou o ministério da Justiça durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso. Este currículo é visto como uma virtude devido ao consenso político que será necessário alcançar num momento em que o Brasil vive mergulhado numa profunda crise. No entanto, e apesar do peso político, o facto de ser sócio do BTG, um banco investigado no caso Lava-Jato, também pode pesar contra si, apesar do seu nome não estar envolvido em nenhum aspecto da investigação.

O objectivo destas negociações, que incluem também os democratas de centro-direita do DEM, é encontrar desde já soluções fortes para avançar para eleições caso a queda de Temer se confirme. Isto porque, como diz o Estadão, existe o receio de que o movimento “directas já” ganhe força e que coloque novamente Lula da Silva no Palácio do Planalto. Aliás, como diz o mesmo jornal, este triângulo de aliados políticos conseguiu, esta terça-feira, fazer com que a votação na Câmara dos Deputados a um relatório que defende a emenda à Constituição para a marcação de eleições directas, assim que for confirmada a saída de cena de Temer, fosse adiada.

A maratona de reuniões entre os três partidos iniciou-se assim que foi divulgada a gravação da conversa entre o Presidente e o dono da empresa de carnes JBS, Joesley Batista. Na sequência dessas conversas foi até sugerido que Temer renunciasse ao cargo e que fosse escolhido um candidato aprovado pelo Presidente, dá conta ainda o Estadão. No entanto, este já deixou claro que não vai renunciar.

As reuniões têm sido realizadas a contra-relógio, pois é necessário que se chegue a uma conclusão até 6 de Junho, data em que Temer poderá ser mesmo deposto no âmbito de outro caso não relacionado com o presente escândalo de corrupção. Será nesse dia que o Tribunal Superior Eleitoral decidirá sobre o pedido de anulação da dupla Dilma/Temer relativamente às eleições de 2014, onde a primeira venceu o sufrágio, tornando-se Presidente, e o segundo ficou com o cargo de vice-presidente. Ou seja, e devido a supostas irregularidades eleitorais, caso o tribunal decida pela anulação, o actual Presidente ficará obrigado a afastar-se da vida política.

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