Área Metropolitana de Lisboa quer passe único. E já estuda o impacto da medida

Criação de um passe de transportes único intermodal para a área metropolitana é um pedido de longa data da Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa. Comissão queixa-se que falta de informação sobre os títulos Zapping induz utentes em erro.

Foto
Estudo da AML sobre impacto da criação de um passe único intermodal deve estar pronto no final de Junho Bruno Lisita

A Área Metropolitana de Lisboa (AML) está a estudar os impactos da criação de um passe intermodal que abranja os 18 concelhos que a compõem “e que contenha preocupações de natureza social e ambiental”, adiantou ao PÚBLICO fonte da AML. “O objectivo da AML é abranger todas as empresas de transporte: rodoviário, ferroviário e fluvial”, prosseguiu.

Há já vários anos que entidades na área dos transportes procuram uma solução que dê um “acesso generalizado a um passe intermodal que abranja toda a área metropolitana de Lisboa”. Foram iniciados vários estudos, nunca finalizados. Ficaram na gaveta, principalmente por não conseguirem “estimar os impactos financeiros e a real procura deste novo título intermodal”, explicou fonte da AML.

O novo estudo, iniciado em Novembro de 2016, deve estar pronto no final de Junho. Segundo a AML, vai permitir saber quais as receitas totais do sistema tarifário, as necessidades de financiamento público complementar, os seus impactos socioeconómicos e se há alternativas viáveis ao modelo agora estudado.

A AML está a recolher, junto de várias entidades públicas e privadas que operam na área, dados estatísticos sobre os transportes nos 18 concelhos da área metropolitana da capital, “fundamentais para fazer o apuramento e modulação do sistema”.

Esta iniciativa da AML é um passo dado ao encontro dos pedidos da Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa. “Há que rever a questão da bilhética”, entende Cecília Sales, porta-voz da comissão. Pede que seja criado “um passe único intermodal com todas as empresas públicas e privadas que servem a área metropolitana”. Ao todo, a comissão fala na existência de “dois mil títulos de transportes diferentes na área metropolitana da capital”.

Como funciona realmente o Zapping nos Transportes de Lisboa?

A existência de vários títulos e passes de transporte está na base de uma “queixa frequente” feita à Comissão de Utentes dos Transportes de Lisboa: “é uma confusão comprar um bilhete de transportes em Lisboa”. Que título é o mais adequado? Quais as modalidades mais baratas para o percurso que quer fazer? É por isso que a comissão tem, “há já vários anos”, vindo a pedir a criação de um único passe, “que facilite a vida às pessoas”, nas palavras de Cecília Sales.

Um dos problemas da bilhética actual, diz a porta-voz da comissão de utentes, é que o funcionamento de alguns títulos não é bem explicado nos locais de venda. Refere-se em particular à modalidade pré-paga Zapping, que pode “encarecer mais o percurso que a pessoa quer fazer”, por não ser perceptível para todos os utentes como é que esta modalidade funciona.

O Zapping, segundo informa o site do Metropolitano de Lisboa, é “um título de transporte pré-pago destinado a quem viaja ocasionalmente na Carris, Metro de Lisboa, Grupo Transtejo,” CP – Comboios de Portugal, Fertagus e Metro Sul do Tejo. Funciona como “um porta-moedas” nos cartões Viva Viagem, 7 Colinas e Lisboa Viva. No mínimo tem que carregar três euros. A partir desse montante pode fazer carregamentos múltiplos de cinco até um máximo de saldo no cartão de 40 euros. O valor de cada viagem é descontado “de acordo com a tarifa e as condições de utilização em cada operador.” Condições e preços que variam de operador para operador.

Foto
Metropolitano de Lisboa

No metro de Lisboa e na Carris, cada viagem Zapping custa 1,30 euros e “só permite a utilização de um único operador. A mudança de operador de transporte implica o desconto de nova viagem Zapping”. Por isso, ir de Arroios a Belém, de metro e autocarro, fica por 1,45 euros com um bilhete normal (em que o mesmo título é válido para viajar na Carris e no Metro durante uma hora). Com o pré-pago esta viagem fica por 2,6 euros pois, ao mudar do Metro para a Carris, é cobrado outro bilhete.

Quando o PÚBLICO questionou a Transportes de Lisboa sobre a razão pela qual não se aplica no Zapping do metro de Lisboa o limite horário que existe nos bilhetes simples, fonte da empresa explicou que a modalidade é para quem usar os transportes de “forma individual”. Ficou por esclarecer, no entanto, se esta informação é perceptível para os utentes. Nas estações de metro, postos de venda habitual, é apenas indicado o preço de cada bilhete quando usada a modalidade de Zapping, sem informações adicionais sobre o seu funcionamento.

Sugerir correcção
Ler 1 comentários