A resistência do FC Porto voltou a ceder num problema lateral

Os “dragões” voltaram a perder frente à Juventus e foram afastados nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Paulo Dybala fez o único golo em Turim.

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LUSA/ALESSANDRO DI MARCO

Sete meses depois de entrar na Liga dos Campeões após afastar a AS Roma, que na eliminatória com os portistas viu três dos seus jogadores serem expulsos, o FC Porto sentiu na pele o mesmo que os romanos no início da temporada. Tal como tinha acontecido no Estádio do Dragão, no reencontro com uma equipa italiana os “azuis e brancos” ficaram reduzidos a dez jogadores ainda na primeira parte e a fria e calculista Juventus não desperdiçou a benesse. Após a vitória no Porto, a “vechia signora” geriu com mestria a vantagem em Turim e garantiu a qualificação para os quartos-de-final, após somar novo triunfo, com um golo de Paulo Dybala na transformação de uma grande penalidade.

Depois da vitória da Juventus a 22 de Fevereiro, no Estádio do Dragão, por 2-0, a UEFA, tendo como suporte o historial de eliminatórias em que na primeira mão se tinha registado o mesmo resultado, dava ao FC Porto 2,7% de hipóteses de garantir o apuramento para os quartos-de-final. No entanto, se a UEFA tivesse acrescentado à equação mais 50 minutos dos “azuis e brancos” em inferioridade numérica, o mais provável seria que as probabilidades de o FC Porto conseguir ser a primeira equipa a dar a volta à Juventus depois de os “bianconeri” ganharem fora na primeira mão de uma competição europeia fossem reduzidas a zero.

Com um trajecto imaculado a nível interno nos últimos nove jogos, com um imponente saldo de 29 golos marcados e apenas quatro sofridos, o FC Porto apresentou-se em Turim com o mesmo desenho táctico dos dois últimos jogos. Após experimentar no Estádio do Bessa, pela única vez nesta época, a sensação de ver os 90 minutos no banco de suplentes, André Silva manteve-se como titular. Sem Alex Telles, que começou a desequilibrar a eliminatória para o lado italiano depois de ser expulso aos 27 minutos no Dragão, Nuno Espírito Santo completou o habitual quarteto defensivo do FC Porto com Layún. No entanto, se no primeiro jogo a resistência “azul e branca” começou a ceder com um pecado cometido à esquerda, em Turim o princípio do fim das esperanças portistas começou na direita.

Com 75% da defesa renovada em relação ao jogo no Porto (entraram Daniel Alves, Bonucci e Benatia) e Pjanic com direito a folga (Marchisio fez dupla com Khedira no meio-campo), a Juventus mostrou desde o apito inicial que não ia procurar colocar rotações elevadas no jogo, mas Dybala provocou o primeiro calafrio da noite a Casillas aos 6’, com um remate que passou ligeiramente ao lado da baliza do espanhol. O FC Porto reagiu com um remate de Soares à figura de Buffon cinco minutos mais tarde, mas, funcionando como um acordeão, a equipa da Juventus esticava-se e encolhia-se de forma harmoniosa e, com o cinismo característico das formações italianas, a equipa de Massimiliano Allegri nunca perdeu o controlo do jogo.

Sem que o FC Porto conseguisse conquistar a superioridade necessária para remeter a Juventus à defesa da vantagem, Mandzukic (23’ e 38’), Higuaín (25’) e Dybala (28’) estiveram perto de marcar e, aos 41’, Maxi substituiu Casillas e evitou com o braço que Higuaín fizesse o primeiro golo. A (boa) defesa do uruguaio foi penalizada com a expulsão e a marcação de uma grande penalidade. Dybala, que tem 100% de aproveitamento na transformação de penáltis pela Juventus (11 em 11), fez o único golo do jogo e acabou com os 2,7% de hipóteses do FC Porto.

A precisar de três golos para chegar aos “quartos”, Nuno reorganizou a equipa ao intervalo trocando um avançado (André Silva) por um defesa (Boly). Com Layún transferido para a lateral direita e Marcano na esquerda, o FC Porto abordava a segunda parte num 4x3x2 (Brahimi juntava-se a Soares quando os portistas atacavam) e o jogo acabou por ficar mais partido após o intervalo. Apesar de os “dragões” estarem ainda menos pressionantes, o conforto da Juventus no jogo provocou o surgimento de mais espaço para os vice-campeões portugueses atacarem, mas a fiabilidade de Soares a nível interno voltou a não ser vista na Liga dos Campeões e o brasileiro, aos 49’, isolado perante Buffon, rematou ao lado.

A Juventus replicou por Pjaca (60’) e Higuaín (66’), mas a oito minutos do final, numa jogada construída pelas últimas duas apostas de Nuno, o FC Porto podia ter evitado a derrota: assistido por Otávio, Diogo Jota tentou picar a bola sobre Buffon, mas acabou por acertar nas redes laterais. Pela primeira vez, os “dragões” eram eliminados nos “oitavos” da Champions sem marcar qualquer golo.     

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