HBO volta atrás na sua própria decisão e cancela o Vinyl de Scorsese e Mick Jagger

Já tinha encomendado segunda temporada mas os resultados e o orçamento da série terão levado o canal a cancelá-la repentinamente. “Uma facada no estômago”.

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A promessa era grande, o pedigree ainda maior, mas Vinyl não conseguiu sequer convencer aqueles que já parecia ter convencido - o canal HBO tinha encomendado uma segunda temporada da série de Martin Scorsese e Mick Jagger, mas voltou atrás e decidiu mesmo cancelá-la. Para um dos seus actores, Ray Romano, este revés foi “uma facada no estômago”. Terão sido questões orçamentais a motivar o cancelamento.

Dez episódios, estreados em Fevereiro com fanfarra (em Portugal a série foi transmitida pelo canal TV Séries, que tem a chancela “Home of HBO”) mas com audiências e recepção crítica a destoar com o potencial da sua própria história. Não só era uma ideia de Scorsese e Jagger, que voltavam a colaborar e a prometer verter para o ecrã o seu conhecimento inquestionavelmente próximo da cena musical e da Nova Iorque dos anos 1970, como uma produção com um elenco de peso. Era a reunião de Olivia Wilde, Bobby Cannavale, Ray Romano, do filho do vocalista dos Rolling Stones (James Jagger), da filha de Julian Temple (realizador que trabalhou com os Sex Pistols) e do argumentista e co-criador da série Terence Winter, famoso por Os Sopranos ou O Lobo de Wall Street.

As audiências foram “modestas”, categoriza a Variety, num horário em que concorria, nos EUA que a produzem, com o blockbuster dos domingos à noite de Inverno no canal AMC, The Walking Dead. A estreia, realizada por Scorsese, teve 1,1 milhões de espectadores. A crítica não adorou a realização e o seu estilo extravagante, e por vezes questionou a história e as personagens, mas elogiou o desempenho do elenco e as temáticas. Os agregadores que misturam a crítica profissional e a dos espectadores dão-lhe resultados positivos.   

Mas “depois de muita ponderação, decidimos não avançar com uma segunda temporada de Vinyl”, diz o canal, que há semanas mudou de director depois de uma década, através de um comunicado em que admite que “não foi uma decisão fácil” e frisa o seu “enorme respeito pela equipa criativa e elenco”. Segundo a Variety, orçamento da série, notoriamente faustoso (escreve-se que a primeira temporada terá custado 100 milhões de dólares e o piloto de duas horas 30 milhões), terá sido considerado mais útil para investir noutros projectos.

O primeiro sinal de que nem tudo girava como era suposto, além das audiências menos conseguidas para tais nomes, foi o anúncio de que Terence Winter seria substituído como showrunner. A série estava numa paragem de produção e não havia ainda guiões para a segunda temporada.

Romano, que está na Austrália, disse à imprensa local que quando soube da notícia, na quarta-feira, sentiu-a como uma “facada no estômago”. Olivia Wilde usou o Twitter para agradecer as mensagens dos fãs e elogiar o projecto, e a HBO continua a promover a sua jóia da coroa, Guerra dos Tronos, cuja sexta temporada chega ao fim este domingo nos EUA e segunda-feira em Portugal (canal SyFy), ao mesmo tempo que denota alguns problemas na sucessão deste seu grande êxito. Alguns cancelamentos ou estagnações (projectos de David Fincher empatados, como lembra o New York Times, ou os maus resultados da segunda temporada de True Detective) nos dramas, mas ainda bons resultados na comédia (Veep, Girls e o regresso de Larry David com uma nona temporada de Calma, Larry).

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