Ministra da Cultura repudia “atentado contra liberdade de expressão” sobre A Barraca

Margarida Balseiro Lopes fala em “agressão cobarde” de um grupo de extrema-direita a um actor, defendendo que “artistas, técnicos e público” têm um papel “na cultura portuguesa que é inestimável”.

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A ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, à chegada para a reunião do Conselho de Ministros na última sexta-feira ANTÓNIO COTRIM / LUSA
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A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, repudiou, esta quarta-feira, a agressão contra a companhia teatral A Barraca, classificando-a de "atentado contra a liberdade de expressão, contra o direito à criação, contra os valores democráticos".

"A Cultura é um lugar de liberdade, nunca de medo. Repudio a agressão cobarde de que foram alvo os actores da companhia A Barraca", começa por escrever a ministra social-democrata na rede social X, sobre a agressão, na noite de terça-feira, em Lisboa, que levou a que um actor de A Barraca fosse hospitalizado com ferimentos no rosto.

Margarida Balseiro Lopes sublinhou: "Este ataque é um atentado contra a liberdade de expressão, contra o direito à criação, contra os valores democráticos que nos definem enquanto país. A Cultura não se intimida. Não recua. E não aceita ódio travestido de discurso político".

"Temos de garantir que artistas, técnicos e público podem participar plenamente na vida cultural, com segurança, respeito e dignidade", reforçou a governante, que dirigiu ao actor agredido e a toda a equipa da companhia a sua solidariedade, em particular à directora artística Maria do Céu Guerra, "cujo papel na cultura portuguesa é inestimável".

Suspeito foi interceptado pela PSP

Um actor da companhia de teatro A Barraca foi agredido na noite de terça-feira por um grupo de extrema-direita, em Lisboa, quando entrava para um espectáculo com entrada livre de homenagem a Camões, disse a directora da companhia, Maria do Céu Guerra.

Em declarações à Lusa, a também actriz Maria do Céu Guerra contou que foi por volta das 20h, estavam os actores a chegar ao Cinearte, no Largo de Santos, quando se cruzaram à porta "com um grupo de neonazis com cartazes, programas", com várias frases xenófobas, que começaram por provocar uma das actrizes.

"Entretanto, os outros actores estavam a chegar. Dois foram provocados e um terceiro foi agredido violentamente, ficou com um olho ferido, um grande corte na cara", afirmou a também encenadora, de 82 anos, que disse que o actor em causa teve de receber tratamento hospitalar.

Fonte da PSP adiantou à Lusa que foi chamada pelas 20h15 ao Largo de Santos por "haver notícia de agressões", onde foi contactada por um homem de 45 anos, que "informou que, ao sair da sua viatura pessoal, foi agredido por um indivíduo".

A PSP, com as características do eventual suspeito fornecidas pelo ofendido e por um seu amigo, encetou várias diligências nas ruas adjacentes ao Largo de Santos, tendo sido possível localizar e interceptar um homem com 20 anos, suspeito de ser o autor da agressão, adiantou a mesma fonte. A PSP identificou os intervenientes neste caso — suspeito, ofendido e testemunha e vai comunicar todos os factos apurados ao Ministério Público.

A associação SOS Racismo, através de um comunicado enviado às redacções, condenou esta quarta-feira "esta onda de violência racista, xenófoba e homofóbica extrema, que se tem vindo a intensificar nos últimos tempos".

Os Verdes (PEV), igualmente através de comunicado, consideraram "absolutamente inaceitável a agressão que ontem teve por alvo mulheres e homens da Cultura, novamente por parte de grupos de extrema-direita", "um acto atentatório das liberdades, mas também da Arte e da Cultura, uma tentativa de silenciar a democracia".

Ontem, o co-porta-voz do Livre, Rui Tavares, a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, e o antigo deputado do PCP, António Filipe, já tinham expressado a sua solidariedade com a companhia de teatro A Barraca.

O presidente da Câmara de Lisboa, o social-democrata Carlos Moedas, deslocou-se na terça-feira ao Cinearte, sede da companhia de teatro, para expressar solidariedade com os actores.