Afinal, quem comprou o Palácio da Brejoeira? Família Mirpuri associada ao negócio
As primeiras informações davam conta de que se tratava de investidores árabes e somam-se indícios de que ao negócio estará associada a família Mirpuri, dona da companhia de aviação Hi Fly.
Adensa-se o mistério em torno da venda do Palácio da Brejoeira. A informação revelada internamente aos funcionários foi a de que a empresa tinha sido vendida a investidores árabes. O PÚBLICO noticiou a venda na quarta-feira com base nessa informação, e já depois de ter confirmado a realização do negócio com o principal accionista da Brejoeira, Emílio Magalhães, mas, erradamente, escreveu que os investidores seriam sauditas. Agora, várias fontes do sector apontam a família luso-indiana Mirpuri como estando por trás do negócio.
Esta família é dona da empresa Hi Fly, que presta serviços de aviação comercial a diversas companhias, como a angolana TAAG, por exemplo; e, através da Mirpuri Investments, tem interesses noutras áreas, desde engenharia e manutenção de aviões à floresta, agricultura e imobiliário. A família possui também uma fundação, com o objectivo de criar “um mundo melhor”. Os Mirpuri ficaram conhecidos com a criação da Air Luxor, uma companhia de aviação que chegou a querer disputar a hegemonia da TAP mas que acabou insolvente e com dívidas de dezenas de milhões de euros, num processo em que a imagem da família saiu muito afectada, com acusações de gestão danosa.
O líder da rede empresarial Mirpuri é Paulo Mirpuri, médico, piloto de aviação (já trabalhou na TAP) e apresentado pelo próprio grupo como sendo um “homem de negócios e filantropo”. Contactado por email, o serviço de relações públicas da Hi Fly, a única forma de chegar à empresa, não respondeu. Pelo lado da Brejoeira, o seu principal accionista, Emílio Magalhães, deixou de atender o telefone ao PÚBLICO, mas desde o primeiro contacto que se recusou a confirmar a identidade dos compradores, invocando uma cláusula de confidencialidade.
Os negócios do vinho são, por regra, claros e públicos, mas não seria a primeira aquisição relevante em que se ocultaria o nome do verdadeiro comprador. Aconteceu com a compra de várias quintas no Douro, envolvendo investidores angolanos como o ex-banqueiro Álvaro Sobrinho ou o general Hélder Vieira Dias, conhecido como “Kopelipa”, por exemplo.
A Brejoeira é uma propriedade que se estende ao longo de 28 hectares (17 de vinhas de Alvarinho, oito de bosque e três de jardins), cercada de altos muros e com um majestoso palácio de estilo neoclássico no meio. Produz e vende um único vinho estreme de Alvarinho, sob o chapéu Palácio da Brejoeira, uma das mais antigas e reputadas marcas da região dos Vinhos Verdes. A distribuição é feita desde o primeiro dia pela Vinalda, empresa onde trabalhava Emílio Magalhães, antigo quadro da Taylor's que, em 2016, viria a tornar-se no accionista maioritário da Brejoeira, depois de, década e meia antes, se ter mudado para a propriedade, a convite da antiga proprietária, Hermínia Paes.
Nos últimos anos, as vendas de Palácio da Brejoeira têm vindo a crescer em volume e valor. A produção anda entre as 80 mil e as 100 mil garrafas e o preço de venda ao público de cada garrafa é de 29,99 euros, embora seja alvo de várias campanhas promocionais que fazem baixar o preço para a casa dos 20 euros. Mesmo assim, não há muitos vinhos brancos em Portugal com este posicionamento de preço, face ao número de garrafas produzidas anualmente.






