Pedro Nuno Santos acusa Governo de usar dinheiro público para fazer campanha

O líder do PS considera “inaceitável” o evento “São Bento em Família” organizado pelo Governo, que classifica como um meio de campanha e compara ao programa “Conversas em Família” de Marcello Caetano.

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"Temos um Governo que não é sério", acusou o secretário-geral do PS EDUARDO COSTA / LUSA
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O secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, acusou esta quinta-feira o Governo de utilizar dinheiros públicos para fazer campanha eleitoral e criticou a "falta de seriedade" da Aliança Democrática (AD) devido ao evento "São Bento em Família".

"A falta de seriedade do Governo da AD não tem limites. Este Governo, em plena campanha eleitoral, usa dinheiro público e recursos públicos para fazer campanha. O espectáculo que hoje estamos a assistir em São Bento é inaceitável", afirmou Pedro Nuno Santos, durante um almoço-comício, em Ponta Delgada, nos Açores, na pré-campanha para as eleições de dia 18.

O líder socialista referia-se ao evento "São Bento em família", que resultou da decisão do Governo de adiar, devido à morte do Papa Francisco, os momentos celebrativos do 25 de Abril previstos para a residência oficial do primeiro-ministro.

Pedro Nuno Santos criticou a postura de Luís Montenegro, que esteve a "cantar com Tony Carreira", e considerou que a AD não tem respeito pelo 25 de Abril. O secretário-geral do PS comparou o nome daquele evento com o programa televisivo "Conversas em Família", de Marcello Caetano, emitido durante o Estado Novo.

"Temos um Governo que não é sério e não tem pudor na forma como se relaciona com o povo", reforçou. O socialista considerou que existem vários exemplos da "falta de seriedade" do Governo, como o anúncio da redução do IRS no início da legislatura ou a alteração às tabelas de retenção daquele imposto.

Pedro Nuno Santos voltou ainda a classificar Luís Montenegro como o "principal factor de instabilidade política" devido aos casos que "envolvem pessoalmente" o primeiro-ministro. "Se acontecesse uma vitória de Luís Montenegro, coisa que não vai acontecer, continuaríamos a viver numa situação de instabilidade política e ao mínimo aperto aquilo que faria foi o que fez: atirar o país para eleições", sublinhou.

O secretário-geral do PS enalteceu o papel dos idosos e das mulheres e destacou a importância de "governar para todos", realçando que o partido pretende "reduzir impostos para todas as famílias e não para uma minoria". "Queremos concentrar o esforço fiscal na redução do IVA para os bens alimentares para zero", insistiu.

A propósito da visita aos Açores, Pedro Nuno Santos defendeu a revisão da Lei de Finanças Regionais e das Obrigações de Serviço Público e a criação de uma estratégia para combater as dependências. "Queremos definir a política do mar com os Açores e os açorianos", acrescentou.

Já Francisco César, líder do PS/Açores e cabeça de lista no arquipélago, garantiu que os deputados socialistas não se vão desviar do interesse regional e apelou ao voto útil "sem rodeios". "O Livre, o BE, o PAN e a CDU, sabemos todos, estão muito longe de poder eleger um deputado nos Açores. Votar no PS nos Açores e não nesses partidos é o voto que vale. É o voto que pode fazer diferença. É um único voto que pode impedir a eleição do Chega", avisou.