Investidores sauditas compram Palácio da Brejoeira
É a primeira vez, que se saiba, que investidores associados à Arábia Saudita investem num negócio de vinho em Portugal, embora o interesse principal possa ser hoteleiro.
- Esta notícia conheceu novos desenvolvimentos que associam a família Mirpuri à compra do Palácio da Brejoeira e que pode ser lida aqui
Agora, sim: o famoso Palácio da Brejoeira e a quinta envolvente mudaram de dono. Os novos proprietários serão investidores sauditas ou ligados à Arábia Saudita. Os termos e os valores do negócio ainda não são conhecidos.
Emílio Magalhães, o até agora accionista maioritário, com 55% da empresa, confirmou a venda, mas, invocando uma cláusula de confidencialidade, escusou-se a dar pormenores sobre os compradores e o montante envolvido. Nos últimos dois anos, sempre que que se falava num potencial interessado, o valor avançado para a compra da histórica propriedade minhota era de 25 milhões de euros.
É a primeira vez, que se saiba, que investidores associados à Arábia Saudita investem num negócio de vinho em Portugal, embora o interesse principal possa ser hoteleiro.
Situada em Pinheiros, no concelho de Monção, a Brejoeira é uma bela e imponente propriedade de 28 hectares (17 de vinhas de Alvarinho, oito de bosque e três de jardins), cercada de altos muros e com um majestoso palácio de estilo neoclássico no meio. Construído no início do século XIX por um fidalgo real e cavaleiro da Ordem de Cristo, na altura em que era fácil e barato construir palácios (este terá custado 400 contos), o edifício só não é considerado real porque possui “apenas” três torreões — precisava de ter quatro. Mas está classificado como Monumento Nacional.
A propriedade foi mudando de dono ao longo do tempo. Em 1937, foi comprada pelo comendador Francisco de Oliveira Paes, para a oferecer à sua filha Maria Hermínia Silva d’Oliveira Paes, quando esta fez 18 anos. Foi Hermínia Paes quem reestruturou as vinhas, apostando tudo na casta Alvarinho, e quem, em 1976, lançou a marca Palácio da Brejoeira, uma das mais valiosas e consistentes da região dos Vinhos Verdes.
Durante muito tempo, a comercialização do vinho esteve a cargo da distribuidora Vinalda, onde trabalhava Emílio Magalhães, antigo quadro da Taylor’s. A dada altura, Emílio Magalhães acabou por se mudar para a Brejoeira, a convite de Hermínia Paes, para ajudá-la no negócio. Em 2005, passou a integrar a administração. Em 2016, um ano depois da morte da antiga proprietária, Emílio Magalhães tornou-se accionista maioritário da Brejoeira, com 55% do capital. Os restantes 45% pertencem a uma família de Lisboa.
A Brejoeira encontrava-se à venda há alguns anos e teve inúmeros pretendentes. O grupo Amorim, a Sonae (grupo de que o PÚBLICO faz pate), o dono da Zara, Amancio Ortega, e Joe Berardo foram alguns deles. Um dos últimos a manifestar interesse, já quando se sabia que o valor pretendido seria na ordem dos 25 milhões de euros, foi a Symington, gigante do vinho do Porto e do Douro, que tem vindo a estender-se a outras regiões do país. A ideia seria associar uma marca de prestígio de Alvarinho, Palácio da Brejoeira, a uma unidade hoteleira de luxo baseada no edifício principal. Mas acabou por recuar, face à reduzida área de vinha e aos elevados custos que a recuperação e remodelação do palácio implicariam.
O interesse primordial da Symington era a marca Palácio da Brejoeira. Falhado o negócio, a empresa associou-se a Anselmo Mendes, com a aquisição de 50% da marca Contacto, e adquiriu a Casa de Rodas, em Monção, com 27 hectares de vinha.






