O 25 de Novembro entregue ao bafio

Celebrar o 25 de Novembro justifica-se, sem dúvida, desde que se impeça a direita mais exaltada e a esquerda mais obstinada de lutarem entre si sobre um legado que é de todos.

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Quase meio século depois do Verão Quente de 1975 e do seu epílogo, o 25 de Novembro, a Assembleia da República decide revisitar a história do processo democrático e agendar um momento anual para celebrar a data com o ritual das solenidades parlamentares. Não deixa de haver nesta decisão um lado bizantino, quase absurdo, como se em causa estivesse uma necessidade de se celebrar e contestar oficialmente o que durante 50 anos se celebrou e contestou informalmente nos títulos dos jornais e nas conversas de rua. A decisão, portanto, explica-se apenas como um sinal dos tempos, como se após uma longa espera a direita mais à direita sentisse necessidade de ajustar contas com a memória de Abril. Mesmo que tivesse de construir à força uma narrativa pouco rigorosa em torno de uma mítica vitória da democracia liberal sobre o comunismo e os seus sequazes.

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