Noruega e Estados Unidos lideram importações de petróleo e gás da UE

Noruega e Estados Unidos foram os principais beneficiários da queda da Rússia nas importações europeias de combustíveis fósseis.

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O campo petrolífero de Johan Sverdrup, na costa norueguesa Reuters/NTB SCANPIX
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A perda de relevância da Rússia nas importações europeias de produtos petrolíferos e gás natural continua a acentuar-se, em quantidade e em valor, dando espaço a que países como a Noruega e os Estados Unidos reforcem o seu papel como fornecedores de combustíveis fósseis à União Europeia.

A actualização dos dados do Eurostat referentes ao segundo trimestre de 2023, publicada esta segunda-feira, mostra que as importações europeias de produtos energéticos recuaram 39,4% em termos de valor (devido à queda dos preços) e 11,3% em volume (toneladas) no segundo trimestre.

Neste quadro, as compras à Rússia que já haviam caído significativamente em 2022, voltaram a diminuir nos dois primeiros trimestres de 2023, em parte devido à aplicação das sanções contra Moscovo.

A 5 de Dezembro do ano passado, entrou em vigor o embargo às importações marítimas de petróleo e, a 5 de Fevereiro deste ano, passou a estar bloqueada, quase na totalidade, a importação de produtos refinados.

No caso dos produtos de petróleo, a queda foi de 82% em termos de quantidade: as importações recuaram de uma média mensal de 8,7 milhões de toneladas no fim do primeiro semestre de 2022, para 1,6 milhões de toneladas em 2023.

Em comparação, as compras a países terceiros, excluindo a Rússia, subiram de 31,5 milhões de toneladas, para 37,3 milhões.

No final de Junho, os produtos petrolíferos russos representavam cerca de 4% da quantidade total importada, quatro vezes menos do que no período homólogo.

Em valor, se a posição russa também enfraqueceu – passou do primeiro posto, com 15,9% do total, para o 12.º lugar e um peso de apenas 2,7% –, outros fornecedores beneficiaram com isso. A posição da Noruega aumentou 3,5 pontos percentuais, para 13,7% do total, e a do Cazaquistão subiu 3,2 pontos percentuais, para 10,2%.

Os Estados Unidos registaram um aumento de 2,1 pontos para 13,6% do total e a Arábia Saudita também reforçou a sua posição em 2,3 pontos, para 9% das importações europeias.

A Líbia tornou-se igualmente um parceiro relevante, com uma quota de 8,1% do total.

Preços do gás caem para metade

Com a descida de preços nos mercados internacionais, o valor médio mensal de importação de produtos petrolíferos recuou dos 30,1 mil milhões de euros do final de Junho de 2022 para 21,3 mil milhões em 2023. Os valores médios mensais pagos à Rússia caíram de 5,1 mil milhões de euros para apenas 600 milhões.

No caso do gás, a diminuição da procura em 2023 também levou a uma correcção dos preços, depois da subida desenfreada em 2022.

No segundo trimestre, as quantidades médias mensais importadas caíram para 17 milhões de toneladas, (uma diminuição de 17% face ao trimestre homólogo) e, em valor, passaram de 24,5 mil milhões de euros para 12,3 mil milhões (as importações à Rússia caíram de 5,8 mil milhões de euros, para 1,7 mil milhões).

No gás de gasoduto, com o corte nos fornecimentos da Gazprom, que motivou a adopção de um plano de emergência de poupança de energia na Europa, a posição da Rússia nas importações totais (valor) recuou 14,5 pontos percentuais, para 13,8% do total.

Mais uma vez, a Noruega foi um dos países beneficiados com esta evolução. Em Junho, o país escandinavo era o principal fornecedor de gás de gasoduto à Europa, com 44,3% do total, seguido do Reino Unido (17,8%) e da Argélia (16,5%).

Já no gás natural liquefeito (GNL), a liderança cabia aos Estados Unidos, que consolidaram no ano passado a sua posição como maior exportador mundial. Até Junho, foram responsáveis por 46,4% do GNL que chegou aos terminais de regaseificação europeus (incluindo o de Sines), embora tenha havido uma queda de 2,8 pontos face ao período homólogo de 2022.

A quota da Rússia também recuou em 2,7 pontos, para 12,4%, embora continue a ser a segunda maior fornecedora europeia (incluindo a Portugal).

Segue-se o Qatar, com 10,9%, a Argélia (9,9%) e a Nigéria (5,1%). Mas “a Noruega e Omã também se tornaram fornecedores importantes, com pesos de 3,3% e 2,9%, respectivamente”.

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