Marcelo ouve partidos e conselheiros sobre situação económica e política no final de Julho

Na Feira do Livro de Lisboa, o Presidente revelou que apenas tomou conhecimento da intervenção das secretas no dia em que o ministro João Galamba a confirma, três dias depois dos acontecimentos.

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Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República LUSA/MANUEL DE ALMEIDA
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O Presidente da República vai convocar o Conselho de Estado e ouvir os partidos com assento parlamentar, no final de Julho, para fazer uma avaliação da "situação económica, social e política".

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas, ao final do dia desta quinta-feira, na Feira do Livro de Lisboa. "Faz sentido porque está arrancar o Orçamento do Estado para o ano que vem, porque estão a terminar os trabalhos da Assembleia da República, faz sentido ouvir os conselheiros de Estado logo a seguir aos partidos, não sobre um ponto específico mas para os ouvir sobre a situação da economia, situação social e política", afirmou, referindo que a iniciativa reflecte a sua comunicação ao país a propósito da decisão do primeiro-ministro de não demitir o ministro das Infra-Estruturas João Galamba.

"Corresponde ao que prometi aos portugueses no dia 4 de Maio, que é ir continuando a acompanhar atentamente a situação. Nada melhor do que ouvir o espectro amplo de pareceres de conselheiros", afirmou. O Presidente foi questionado sobre se se trata de um Conselho de Estado regular. "Sim, sim (...). Não é especificamente para o exercício de um poder”, disse, referindo-se ao poder de dissolução da Assembleia da República, que obriga a ouvir o órgão político de consulta do chefe de Estado.

"Não planeio nenhuma acção em concreto para o pós-Conselho de Estado a menos que eu entenda que há razão para eu falar aos portugueses sobre determinada matéria. Isso decidirei depois do Conselho de Estado", esclareceu.

Antes, haverá uma reunião do Conselho de Estado a 16 de Junho, encontro que contará com a presença da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola. Também prévio à reunião de Julho do Conselho de Estado será o debate do estado da nação, que decorre no Parlamento a 19 de Julho.

Questionado sobre quando foi informado da actuação do Serviço de Informações de Segurança (SIS) na recuperação do computador de serviço do ex-adjunto do ministro das Infra-Estruturas, Marcelo afirmou ter sido na viagem de regresso da visita à Ovibeja, a 29 de Abril. Foi nesse mesmo dia que João Galamba confirmou, em conferência de imprensa, que o SIS foi accionado para a recuperação do portátil de Frederico Pinheiro, três dias depois dos incidentes nas instalações do ministério.

Sem responder quem é que o informou e se foi o primeiro-ministro a fazê-lo, Marcelo refere ter tido "o primeiro contacto" sobre a matéria ao final da tarde de sábado, dia 29 de Abril. Mas a conferência de imprensa de João Galamba realizou-se por volta das 14h e as primeiras notícias sobre a actuação do SIS já tinham sido publicadas na véspera.

O Presidente foi também questionado sobre as reportagens da TVI/CNN, que apontam para suspeitas em torno dos ministros Fernando Medina e Duarte Cordeiro, e figuras do PSD, sobre uma alegada troca de favores a propósito das autárquicas de 2017, mas escusou-se a comentar o caso em concreto. “A razão pela qual eu entendo que é muito prudente este calendário que escolhi é deixar que toda esta realidade económica, social e política deste mês de Maio, como em Junho e Julho, decorra, observando atentamente e depois ouvindo quem tem opinião sobre isso. Não vou entrar em realidades que estão em processo”, respondeu.

Sobre a questão sobre se fica manchado o Ministério Público, por causa da fuga de informação sobre um processo em que não há arguidos, Marcelo salientou que a “grande vantagem” do calendário que definiu é a de “permitir ao longo destes meses, e depois de ouvidos os partidos e o Conselho de Estado, apreciar toda esta situação”. “O que é importante para o Presidente não é o facto A, o facto B, o facto C, é a análise global das instituições, as económicas, as sociais e políticas.”

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