Cartas ao director

Imigrantes no Algarve

Parabenizando o trabalho jornalístico de Ana Dias Cordeiro e Maria Abranches, dado à estampa no PÚBLICO de 8 de Abril, impõe-se o fundo e sentido agradecimento pelo corajoso retrato que mostra a obscena e dolorosa desprotecção jurídica de mais de 150 imigrantes a trabalhar sem condições laborais, esbulhados e ignorados pela lei vesga que os mantém naquele limbo – quase comparável a listas de Schindler que fizeram escola e abundam aqui no Portugal de Abril (qual?!) –, e que estavam “invisíveis” por culpa de alguns biombos mediáticos que deliberadamente obstaculizam a gritante denúncia que se impunha e que Ana Dias Cordeiro, Maria Abranches e o PÚBLICO conseguiram derrubar.

O calvário de mais de 150 imigrantes (só no Algarve) – seres humanos num caminho de Gólgota diário –, e que estão a pagar para trabalhar (terão pago, em média, mais de 10.000 euros cada a “facilitadores” – neologismo para traficante), é-nos dado a conhecer pelas duas jornalistas, que assinam o brilhante serviço público que constitui o que dolorosamente e de forma incrédula lemos no recato das nossas vidinhas banais. Fica-se em náusea a cada linha de leitura e cada um daqueles seres humanos sujeitos à denunciada “degradação (que) se amontoa sem entrar na categoria de crime” devia produzir um murro no estômago neste tempo pascal em que se verbalizam fraternidades hipócritas e sem substância... só porque sim! (…)

Que jeitão dava voltar ao trabalho sem retribuição, suspirarão muitos capatazes das nossas praças de jorna que pensávamos extintas!... Obrigada, senhoras jornalistas Ana Dias Cordeiro e Maria Abranches! Continuem a transportar a vida!

Maria da Conceição Morais Mendes, Vila Nova de Gaia

Greves na CP

Estamos todos cansados, diria exaustos, com as greves da CP. Todos, todos, não, os sindicatos (os trabalhadores não sei) e o Governo parece que não. Alguém rebaptizou a CP de “Comboios Parados” de tantas e tão diversas greves que já ocorreram. Mas porquê esta particular resiliência das partes, perante a passividade da população? Quase diariamente seguem-se entrevistas nos telejornais das pessoas afectadas e não deixo de me espantar com o ar conformado de quase todos, como se estivessem a falar de uma situação irremediável como a morte. Os trabalhadores perdem o seu salário (ou não?), os utentes pagam passes de que não usufruem e para os responsáveis, da gestão da CP e governamentais, tudo isto parece ser "o lado para que dormem melhor". Será que a CP e o serviço que presta já se tornaram irrelevantes? E as pessoas, quando pensam na CP, já introduzem nas suas tomadas de decisão a possibilidade de... não haver CP? E o Governo, na pessoa do ministro da tutela, o que faz para resolver este cancro que temos há tanto tempo a medrar entre nós?

José Pombal, Vila Nova de Gaia

Pela boca morre o peixe

No caso, pela boca morre o PS. Tantas, são já tantas as tropelias e mentiras de governantes nesta tragicomédia da TAP, que urge acabar com tamanha falta de dignidade. A mentira de Pedro Nuno Santos resolveu-a ele com a demissão e com a desculpa de se ter esquecido. A inverdade do actual ministro das Infra-Estruturas, ao afirmar que a CEO da TAP estivera presente na reunião do grupo parlamentar do PS motu proprio, não convence ninguém. A correspondência trocada entre a CEO e um secretário de Estado, acerca dum pretenso pedido do Presidente da República para alteração dum voo programado, atinge, da parte dele, as raias dum amadorismo indigno. Muitas têm sido as contundentes críticas de vários habituais colaboradores vossos. Lembremos também os pedidos de demissão de 12 membros do Governo em apenas dez meses. Importa interromper tamanho descalabro. Haja quem ponha ordem neste galinheiro atarantado!

José Sousa Dias, Ourém

A “novela” da TAP

(…) Há ainda quem se admire com o que se vai passando no nosso querido país, onde, entre outras, prossegue a “velha” novela da TAP, com tudo quanto de mau encerra, com milhares de empregados de diversas profissões em perigo, com um património valiosíssimo, valorosa representante do nosso país pelo mundo fora. Deixem-se de traquinices e intrigas de maldizer, deixem a politiquice e façam jus honestamente às funções para que foram eleitos democraticamente. Com clareza e competência, se a tiverem. Senhor Presidente da Republica eleito democraticamente, sempre pronto a intervir quando julga necessário, solicita-lhe o octogenário subscritor a sua valiosa atenção.

Carlos Leal, Lisboa

Sugerir correcção
Comentar