Os rapazes do futuro

Enquanto as raparigas têm do seu lado a motivação para se afirmarem num mundo que lhes é à partida hostil, e são apoiadas nesse sentido, aos rapazes pode faltar-lhes suporte, motivação e auto-estima.

Entrevistei em 2018 o cientista Adam Kampff, licenciado em Astronomia e doutorado em Neurociências pela Universidade de Harvard. Diz-me que poderia ter ficado pela Astronomia, mas preferiu estudar o cérebro porque lhe pareceu igualmente vasto e desconhecido, mas mais tangível. Ao longo da entrevista, estando Kampff a defender de forma consistente a inexistência de diferenças assinaláveis entre os cérebros masculinos e femininos, pergunto-lhe se há espaço para um futuro queer. Responde-me: “O movimento queer é um sinal muito motivador de que as coisas estão a mudar. Acredito que a preferência sexual e a identidade de género se vão transformar em conceitos arcaicos, tal como com o imperialismo e a escravatura. Um dia mais tarde, parecerá impossível termos pensado dessa forma. [...] Termos começado a entender a necessidade de discutir estes conceitos, parece-me muito entusiasmante. Mas não vai ser um percurso fácil ou linear.”

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