Inflação em Espanha passa para 3,3% em Março, com recuo na energia

Desaceleração resulta sobretudo de uma descida do índice de preços na electricidade e nos combustíveis. Ainda é difícil avaliar o impacto da redução do IVA.

Foto
A inflação subjacente em Espanha ainda está nos 7,5% Diogo Ventura

A taxa de inflação em Espanha abrandou em Março de forma significativa, com o índice de preços no consumidor a passar para 3,3%, quando em Fevereiro a diferença homóloga estava nos 6% e nos dois meses anteriores estava próxima desse nível.

A estimativa foi divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Espanha.

O índice que traça a evolução dos preços de bens e serviços continuou a aumentar, mas com uma subida mais suave. A variação em relação a Fevereiro é de apenas 0,4%.

Quando se faz a comparação entre Março deste ano e Março do ano passado (o mês imediatamente ao início da invasão da Ucrânia pela Rússia, que fez disparar os preços da energia a nível global), a diferença é de 3,3%.

Segundo o INE espanhol, “esta evolução deve-se, principalmente, ao facto de os preços da electricidade e dos combustíveis terem aumentado em Março de 2022 e diminuído este mês. A taxa de variação anual estimada para a inflação subjacente (índice geral excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) diminui uma décima, para 7,5%”.

Recuando alguns meses: depois de atingir um pico no Verão, chegando aos 10,8% em Julho e 10,5% em Agosto, a taxa foi abrandando até passar para 5,7% em Dezembro, mas em Janeiro voltou a aumentar, passando para 5,9%, e em Fevereiro registou-se um ligeiro agravamento, para 6%, para agora se notar uma desaceleração que coloca a variação nos 3,3%.

Esta é uma primeira estimativa, que ainda poderá ser revista pelo INE espanhol, mas que, para já, coloca a taxa de inflação na quarta maior economia da zona euro no valor mais baixo em cerca de um ano e meio, nota o jornal El País.

Espanha baixou o IVA de alguns produtos alimentares essenciais no início deste ano, reduzindo a taxa de alguns produtos e isentando outros, como Portugal vai agora fazer, mas, a partir destes dados oficiais do INE espanhol, não é possível ainda estabelecer uma correlação directa de causa e efeito. Estas primeiras estatísticas não detalham ainda qual foi a variação específica das grandes componentes do índice de preços, ou seja, não é possível consultar, relativamente a Março, quanto variou a componente dos alimentes e bebidas alcoólicas, a dos têxteis e calçado, a da habitação, água, electricidade e gás, entre outras.

Apesar disso, ao olhar para a taxa de inflação subjacente, é possível verificar que, se em conjunto não forem tidas em conta duas componentes centrais, justamente a dos produtos alimentares não transformados e energéticos, a taxa anual, comparando Março deste ano com Março de 2022, quase não se altera. Mantém-se num patamar elevado e com uma variação mínima: estava em 7% em Dezembro, subiu para 7,5% em Janeiro, passou para 7,6% em Fevereiro e, agora, apenas para 7,5%.

O Governo de Pedro Sánchez reagiu salientando o facto de a inflação espanhola estar agora “entre as mais baixas” da União Europeia “graças à descida do preço da electricidade” decorrente do mecanismo ibérico e “das medidas adoptadas” para controlar os preços. Na sua conta oficial no Twitter, o Ministério dos Assuntos Económicos e Transformação Digital, liderado pela vice-presidente do Governo, Nadia Calviño, notou que a variação da inflação subjacente está a abrandar “pela primeira vez desde Setembro”.

Em Fevereiro, quando a inflação espanhola estava nos 6%, a média dos países da zona euro estava nos 8,5% e a do conjunto da União Europeia nos 9,9%.

Em Espanha, pão, farinha, ovos, queijo, fruta, legumes, produtos hortícolas e cereais, que até aqui estavam com uma taxa reduzida de 4%, passaram a 0% de IVA por deliberação do executivo.

O azeite e a massa passaram a ter um IVA de 5%, em vez da taxa de 10% em que se encontravam. A medida entrou em vigor a 1 de Janeiro e estará de pé durante o primeiro semestre, até 30 de Junho.

O Governo tinha previsto que, se a taxa de inflação subjacente ficasse abaixo de 5,5% em Março, a medida terminaria mais cedo, a 1 de Maio, mas isso não se verificou, pois este indicador teve uma variação anual de 7,5%.

Sugerir correcção
Ler 2 comentários