Exposição que narra 2022 através dos cartoons de Luís Afonso é inaugurada na Casa das Artes

Depois de passar por Lisboa no início do ano, a exposição que ilustra, através das personagens de Luís Afonso, temas como a guerra, a crise do governo, a pandemia e a TAP, vai chegar ao Porto.

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Os trabalhos de Luís Afonso estarão expostos na Casa das Artes (Porto) até 23 de Abril PAULO PIMENTA

A partir desta quinta-feira, dia 23 de Março, os cartoons de Luís Afonso vão estar expostos na Casa das Artes, no Porto. Através de diferentes universos, estão ali retratados temas como guerra, as crises do governo, a TAP, entre muitos outros.

O desafio de retratar o ano de 2022 partiu da Casa da Imprensa e da associação CC11. Luís Afonso recorreu aos seus quatro alter egos para desenhar as tiras que narram o ano que passou, numa exposição que, nos primeiros meses deste ano, esteve no Salão de Honra da Casa da Imprensa, em Lisboa, e que ocupa agora a Casa das Artes, até dia 23 de Abril.

Bartoon, Barba e Cabelo, S.A. e A Mosca são os meios de expressão do cartoonista, para abordar as contradições e paradoxos do quotidiano, no avesso do PÚBLICO, no jornal A Bola, no Jornal de Negócios e no ecrã da RTP, respectivamente.

Retrospectiva de um ano em que tudo aconteceu

Luís Afonso marca “o pontapé de partida” de uma série de exposições que a Casa da Imprensa irá fazer anualmente com um cartoonista convidado, para pôr em evidência os trabalhos do ano anterior.

Dentro dos trabalhos de 2022 – “um ano muito preenchido”, segundo o próprio –, o cartoonista teve de seleccionar os que integrariam a exposição. “Ainda vínhamos embalados com a pandemia, tivemos no início do ano as eleições legislativas antecipadas, tivemos o início da guerra na Ucrânia... Até morreu a rainha da Inglaterra”, recorda. Tudo isto está retratado” nos desenhos que vão estar expostos na Casa das Artes.

Através de 12 painéis, um para cada mês, cada qual com cerca de 10 cartoons, Luís Afonso percorre os temas mais relevantes de 2022. Confessando que “não fez uma tabela e contou os temas”, o autor admite que o mais recorrente será o da guerra.

A maioria dos desenhos, “mais de metade”, estima, são do Bartoon, o espaço que ocupa diariamente na última página do PÚBLICO. Conta ainda com os cartoons desportivos do jornal A Bola, “que deram jeito também porque tivemos um mundial de futebol diferente”. Na parte mais económica, estão os trabalhos do Jornal de Negócios. Quebrando o formato estático, também estarão presentes, num ecrã, os episódios animados de A Mosca, produzidos para a RTP e para a Antena 1.

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A exposição assenta em 12 painéis, um por cada mês de 2022. Este retrata o mês de Junho. Luís Afonso

A ironia como “forma de estar”

Cartoonista “por acaso” desde 1985, Luís Afonso retrata o quotidiano diariamente em vários jornais. Desenha “desde puto”, começou pela banda desenhada, contou ao PÚBLICO, e foi eventualmente “confrontado com a ideia de fazer cartoons”.

Em 1993, enquanto dava aulas de Geografia em Serpa, no Alentejo, recebeu a proposta de publicar diariamente no PÚBLICO. Leccionou até 1994, e a partir daí passou a ser cartoonista a tempo inteiro.

Luís Afonso tem carteira profissional de jornalista e considera que os seus cartoons são também um trabalho jornalístico. Apropria-se dos métodos de investigação durante o seu processo de criação, confessa. “Tento ver os dois lados da questão, verifico as fontes, as origens das notícias. A maior parte do meu tempo é gasto nesse tipo de trabalho.”

Não desenvolve um espaço de opinião, potencia antes um espaço de questionamento. É por isso que grande parte dos seus trabalhos “acabam com interrogações”.

A posição irónica não é só em relação à actualidade, é uma forma de estar. “Sou irónico comigo mesmo, não me levo demasiado a sério”, explica Luís Afonso. “Tento sempre ver as coisas com ironia, porque para um cartoonista é uma ferramenta que tende sempre a ser utilizada.”

A exposição é de entrada livre e é inaugurada às 18h30 da próxima quinta-feira, 23 de Março, com a presença do autor na Casa das Artes.

Texto editado por João Mestre. Alterado às 10h30 de 22 de Março de 2023 para corrigir o ano em que Luís Afonso começou a ser cartoonista.

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