Renault Austral é o Carro do Ano em Portugal. Veja os 7 carros vencedores

O SUV conquistou o título, além da classe dos híbridos, e a marca teve mais razões para festejar, com o Megane. Os outros vencedores são DS 7, Honda Civic, Nissan X-Trail, Peugeot 408 e Škoda Fabia.

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,Híbrido plug-in
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,Peugeot 3008
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Nissan X-Trail DR

Vinte anos depois de ter conquistado o Volante de Cristal, com o Megane, a Renault voltou a reclamar o pódio do Carro do Ano, prémio que, organizado pelo Expresso e SIC/SIC Notícias, é atribuído por 20 jornalistas do sector. Entre os sete finalistas estavam ainda Honda Civic, Nissan Ariya, Peugeot 408, Mégane E-Tech, Škoda Fabia e Volkswagen ID. Buzz.

Além do Seguro Directo Carro do Ano/Troféu Volante de Cristal 2023, o Renault Austral recebeu o título de Híbrido do Ano.

O anúncio do prémio foi feito nesta quarta-feira à noite, durante a festa anual que reúne agentes vários da indústria automóvel, e incluiu mais vencedores. Nas restantes classes, o Škoda Fabia sagrou-se Citadino do Ano, o Renault Megane E-Tech conquistou o título de Eléctrico, Peugeot 408 venceu a classe dos Plug-in Hybrid, o Honda Civic marcou pontos como a melhor proposta Familiar, o Nissan X-Trail saiu com o troféu de Grande SUV e o DS7 com o prémio de SUV Compacto.

Já o Prémio Tecnologia e Inovação foi entregue à Nissan, pelo e-Power, que repensa o sistema híbrido de forma a que o carro tenha o comportamento de um eléctrico sem os constrangimentos de autonomia. A tecnologia beneficia o comportamento, apesar de ainda lhe faltar alcançar um patamar óptimo em termos de consumos e emissões, quando comparado aos híbridos tradicionais.

Foi ainda homenageado, a título póstumo, o antigo presidente da comissão executiva do Carro do Ano, o jornalista Rui Freire, que morreu em Janeiro, “pelo seu enorme empenho na organização [do concurso], ao longo de vários anos”, e “pelo contributo que deu ao jornalismo do sector automóvel”.

Austral, o SUV que faltava à Renault

O Austral chegou para substituir o Kadjar no alinhamento do portefólio da Renault. E, depois de o conhecer, a maioria pergunta: porque é que isto não aconteceu mais cedo?

Apresentando-se como um crossover familiar espaçoso, de design atraente, recheado de tecnologia, o Austral mostra-se capaz de consumos contidos, sobretudo no caso da eficiente mecânica full hybrid: 4,6 l/100 km, com correspondentes 104 g/km de CO2.

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Renault Austral dr

O ruído do motor não incomoda e a caixa automática multimodo mostra-se equilibrada num automóvel que prima pela suavidade. E, quando é necessário efectuar manobras, a presença das quatro rodas direccionais (opcional possível graças ao facto de o carro assentar na plataforma CMF-CD, que admite suspensão multibraços atrás) faz com que o carro encolha.

Além da variante e-Tech full hybrid 200 (desde 36.707€), o Austral pode acomodar mecânicas a gasolina de hibridização suave: o 1.3 turbo com uma bateria de 12V, nas declinações de 140, com caixa manual de seis velocidades, e de 160cv, acoplada a uma transmissão CVT, e outra a conjugar o bloco tricilíndrico sobrealimentado de 1.2 litros com uma bateria de 48V, para conter consumos e emissões. Com a designação e-Tech full hybrid há ainda uma declinação de 160cv.

Na classe dos híbridos, o Austral concorria com Honda HR-V 1.5 i-MMD Elegance, Kia Sportage 1.6 T-GDI HEV Tech, Kia Niro 1.6 HEV, Nissan Juke Hybrid 145 N-Design e Toyota Corolla Cross 2.0 HEV Luxury.

Fabia, dinâmico e jovial

Um utilitário compacto concebido para atrair novos clientes, o que justifica um posicionamento jovial, mas com trunfos de espaço e funcionalidade para ser uma opção para as famílias.

Por dentro, dão cartas a luminosidade, sobretudo nas versões equipadas com tecto panorâmico (desenvolvido para proporcionar isolamento térmico), e a tecnologia, quer em termos de assistentes de condução, que melhoram aspectos como a segurança (o Euro NCAP atribuiu-lhe as cinco estrelas e a melhor pontuação entre o seu segmento, facto que também se deveu à carroçaria reforçada ou à possibilidade de ter até nove airbags — seis de série e três (laterais traseiros e de joelho) opcionais), ou de infoentretenimento, que conta com um ecrã do sistema de independente até 9,2 polegadas.

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Skoda Fabia dr

A versão a concurso, 1.0 TSI Style DSG (desde 23.590€), combina agilidade a interessantes consumos, na ordem dos cinco litros, que não são demasiado penalizados no pára-arranca.

O Fabia concorria com o Nissan Juke Hybrid 145cv N-Design.

Megane, eléctrico familiar

Entre a classe dos eléctricos, havia propostas de encher o olho. Mas também de esvaziar a carteira. E, numa área da mobilidade que se faz valer da racionalidade, o preço importa. O Mégane e-Tech a concurso, com bateria de 60 kWh e potência de 220cv, está à venda desde 36.750€; a proposta mais em conta a seguir custa mais quase 12.500 euros (e entre o lote havia até automóveis cuja diferença de valor daria para comprar outro carro).

Mas seria uma injustiça escrever que o Megane só ganha por ser mais barato. A questão é que a sua relação qualidade-preço parece ter conquistado pontos. É que, não sendo o mais rápido ou o mais funcional, o automóvel guarda o trunfo da sensatez que nos leva a ir ainda mais longe do que o alcance prometido. A marca anuncia um consumo médio de 16,2 kWh/100 km, para um alcance de 434 km, sendo fácil ver consumos mais baixos.

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Renault Megane e-Tech dr

De dimensões compactas, as linhas são de uma berlina, mas os volumes lembram um crossover. A habitabilidade não é uma referência, sobretudo nos lugares traseiros, mas está em linha com a maioria dos carros do seu segmento, assim como a volumetria da mala (389 litros).

O ambiente do habitáculo é tecnológico e inovador (a marca registou 300 patentes durante a construção deste automóvel, como o sistema de insonorização, que a Renault descreve criar um “efeito casulo”).

Para trás ficaram Aiways U5 Prime, Kia Niro EV 64 kWh Tech, Nissan Ariya 63 kWh 214 4x2 Advance, Polestar 2 Long Range Dual Motor Pack Performance, Toyota bZ4X Lounge, VW ID.5 Pro e VW ID.Buzz Pro.

Civic, familiar desportivo

Um automóvel capaz de satisfazer as necessidades de uma família e, ao mesmo tempo, dar momentos de prazer de condução a quem se sentar aos seus comandos.

No que toca a mecânicas, à 11.ª geração, a Honda deitou para trás das costas as puramente térmicas (a excepção resiste, por enquanto, com o Type R, mas este é outra conversa), colocando todas as suas fichas numa proposta híbrida, que conta com um bloco de 2,0 litros a gasolina a gerar impulso, mas também energia para uma pequena bateria que alimenta dois motores eléctricos.

Não permite circular durante muito tempo em modo puramente eléctrico, mas o sistema sabe gerir sabiamente a energia de forma a reduzir consumos e a passagem entre os diferentes modos é tão intuitiva que, muitas vezes, nem se dá por ela.

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Honda Civic dr

Em cidade, o Civic não é um automóvel exigente, rolando de forma tranquila, mas impondo-se sempre que necessário, indo buscar força e potência extras ao motor térmico, sendo simultaneamente fácil de manobrar: a direcção é leve na medida certa. No interior, registou-se uma boa evolução.

O Civic concorria com Citroën C5 X Híbrido Plug-in 225CV Shine Pack, Nissan Qashqai e-Power 190 N-Connecta, Peugeot 408 GT Plug-in Hybrid 225, Megane E-Tech 60 kWh 220, Renault Austral TCe 200 Full-Hybrid e VW ID. Buzz Pro.

Peugeot 408, dinâmico e poupado

Excelente exercício de design, que colocou o carro entre os mais bonitos e elegantes, reposicionando um automóvel generalista como objecto de desejo. O Peugeot 408 não inovou nas mecânicas, já conhecidas de outros modelos, ainda que em termos dinâmicos se revele com um comportamento único.

Com um comprimento de 4,69 metros e uma distância entre eixos de 2,79 metros, no limite do que define o segmento C, o 408 tem um habitáculo espaçoso, tanto para quem se senta à frente como atrás. Quanto a capacidade de carga, os carros com motor a combustão arrumam 536 litros; os PHEV estão limitados a 471, já que a bateria, com capacidade de 12,4 kWh, está montada na traseira.

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Peugeot 408 dr

Na Europa, serão comercializados um motor a gasolina (o tricilíndrico 1.2 PureTech de 130cv, com caixa automática EAT8) e dois híbridos de ligar à corrente, de 180 e 225cv. Foi o último (preço desde 48.200€) que foi submetido à avaliação do júri e que combina um motor a gasolina de 180cv com um motor eléctrico de 81kW, cuja gestão fica a cargo da caixa automática e-EAT8.

Os restantes candidatos entre os PHEV eram Citroën C5 X Híbrido Plug-in 225 Shine Pack, DS 7 E-Tense 4x4 360 Opera, Mazda CX-60 2.5 e-Skyactiv PHEV AWD Takumi, Opel Astra 5P GS Line 1.6T PHEV 180.

DS 7, luxo condensado

Espaçoso, com bancos em pele cosida à mão e sistema automático de massagem. Quando se carrega no botão de arranque, o luxuoso relógio analógico da B.R.M. sai do tablier e o sistema de som com 14 altifalantes da requintada Focal faz-nos esquecer que estamos a conduzir num modo silencioso.

A concurso, a DS escolheu a estrela da companhia: um PHEV, de tracção integral, com 360cv de potência combinada, que se destaca por ser vistoso, seguro e divertido de conduzir. Preço: desde 74.765€.

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DS7 dr

O E-Tense 4x4 360 é o topo de gama do DS 7 e tudo nele emana comodidade e luxo. O nível de conforto contribui para o bem-estar e a posição de condução elevada transmite confiança. E os 360cv de potência garantem uma condução (muito) despachada, com acelerações fulgurantes.

O cuidado nos detalhes está em todo o lado e o pacote tecnológico é muito completo.

Na classe, concorria com Citroën C5 X Híbrido Plug-in 225 Shine Pack, Mazda CX-60 2.5 e-Skyactiv PHEV AWD Takumi, Opel Astra 5P GS Line 1.6T PHEV 180 e Peugeot 408 GT Plug-in Hybrid 225.

X-Trail, conforto todo-o-terreno

Mais confortável do que nunca, o X-Trail oferece uma boa experiência a todos os ocupantes. Para tal, a Nissan aburguesou a fórmula original, indo ao encontro de uma clientela cada vez mais cosmopolita

Com mecânicas electrificadas e ainda um pacote bem recheado de equipamentos, mesmo no nível mais básico, o N-Connecta (há ainda o Tekna e o Tekna+), pode ser configurado com o sistema e-Power, de duas rodas motrizes ou ser conjugado com o e-4orce (o 4 lê-se como um “f”), servido por dois motores eléctricos, um dos quais montado no eixo traseiro para fornecer tracção às quatro rodas. Foi este último o analisado (desde 52.050€).

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Nissan-X-Trail dr

O e-4orce está disponível na versão electrificada do X-Trail, de 213cv, que conta com o grupo propulsor e-Power, em que o motor (ou, no caso, motores) eléctrico comanda as rodas, sendo alimentado com a energia produzida por um bloco a gasolina (o tricilíndrico de 1,5 litros).

Dentro do habitáculo não há razões para reclamar. O interior, no nível de equipamento N-Connecta, oferece requinte e materiais nobres bem casados com plásticos sabiamente escolhidos e trabalhados para darem uma percepção de qualidade superior.

Estavam também inscritos Aiways U5 Prime e Kia Sportage 1.6 T-GDI HEV Tech.


com Pedro Esteves

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