O Chelsea descobriu Nketiah “ontem”, o Arsenal goza o momento hoje

O homem que faz chamadas telefónicas quando marca golos foi neste domingo o herói do Arsenal frente ao Manchester United. Tem 23 anos e uma média de golos tremenda desde que passou a titular.

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Nketiah celebra frente ao Manchester United Reuters/DAVID KLEIN

Em Londres, são famosos os jogos de rua entre crianças de bairros diferentes ou mesmo torneios amadores entre zonas da cidade. Num deles, há 14 anos, Edward Nketiah jogou por uma equipa que representava o Sul de Londres e foi descoberto pelo Chelsea. Neste domingo, aos 23 anos, foi o herói do Arsenal no triunfo (3-2) frente ao Manchester United, na Liga inglesa.

A história de “Eddie” Nketiah não é de especial complexidade, já que não vem de uma infância dura. Como tantos outros, cresceu numa zona da capital inglesa que lhe permitia jogar na rua – é de Lewisham, bairro de onde também saiu a família Wright, com Ian Wright e Shaun Wright-Phillips.

Com nove anos, o Chelsea descobriu Nketiah na tal equipa amadora, os Hillyfielders, e levou-o para a academia. Depois de seis anos a ensinar-lhe o que havia para ensinar, o clube londrino dispensou o jogador aos 15 anos, supostamente por não apreciar o perfil físico (ou falta dele) do então jovem avançado.

O Arsenal, que já tinha ouvido falar dele, chegou-se à frente. Depois de o recrutar, deu-lhe um contrato profissional e jogador tem feito o percurso no clube desde aí.

Neste domingo, Nketiah marcou dois golos ao Manchester United e isto significa que vai com seis golos em seis jogos desde que se tornou titular na equipa – sequência que começou frente ao West Ham na jornada do Natal.

Sem ser especialmente alto (1,80m), Nketiah tem mostrado ser bastante forte fisicamente, resistente ao choque e com potência para explorar o espaço. Nesta fase, talvez o jogo entre linhas e a capacidade de se associar sejam as principais lacunas, mas, aos 23 anos, não é algo impossível de trabalhar.

E Nketiah diz-se aberto ao trabalho. Na única experiência fora do Arsenal, no empréstimo ao Leeds, em 2019/20, Nketiah foi pouco utilizado pelo treinador Marcelo Bielsa no Championship. E não se arrepende de lá ter estado, mesmo tendo sido uma peça de recurso.

“A minha experiência no Leeds foi boa para mim, aprendi muito. Posso não ter jogado tanto quanto gostaria, mas tive bons momentos. Se virem o meu rácio de golos por minuto até é bastante bom (...) Bielsa é um treinador muito exigente e aprendi muito”, explicou, citado pelo Mirror.

Actualmente, Nketiah, filho de ganeses que já decidiu representar Inglaterra, está a tornar-se goleador no Arsenal, que não tem tido Gabriel Jesus, e já se sabe o que esperar do jogador: uma chamada telefónica. Ou várias. Quando marca um golo, é dessa forma que o avançado celebra – e é um detalhe interessante que uma lenda do clube, Thierry Henry, também celebrasse dessa forma algumas vezes. E claro que há uma explicação para esta escolha, que nem tem que ver com Henry.

“Isto começou numa pré-temporada com o Arsenal, num dia em que cheguei muito atrasado. Estávamos a perder com o Bayern já perto do final e eu marquei um golo. Depois do jogo, as redes sociais do Arsenal escreveram ‘precisam de um golo? É melhor ligarem ao Eddie’. E pegou desde aí”, detalhou em entrevista ao Gaffer Online.

Hoje, é possível que o muito comprador Chelsea gostasse de fazer uma chamadinha. E talvez não gostasse da resposta de Eddie.

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