Exército ucraniano reforça defesa de Bakhmut e da vizinha Soledar, palcos de “batalhas brutais e sangrentas”

Forças pró-russas intensificam ataques na cidade e na vila da província de Donetsk, no Leste da Ucrânia.

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Imagem da linha da frente na vila de Soledar, a norte de Bakhmut (Donetsk) Reuters/CLODAGH KILCOYNE

O Exército da Ucrânia anunciou nesta segunda-feira o reforço das suas defesas em Bakhmut, palco de violentos combates desde o início do Verão, entre os soldados ucranianos e os mercenários russos do Grupo Wagner. Localizada na província de Donetsk, na região oriental da Ucrânia, a cidade é, por estes dias, um dos principais focos do conflito entre as duas forças militares naquela zona.

Nos últimos dias, as forças invasoras intensificaram os ataques na vila vizinha de Soledar, a norte de Bakhmut, acreditando que a conquista dessa localidade lhes pode permitir abrir um corredor importante de passagem, para as suas tropas lançarem uma redobrada ofensiva sobre a cidade – uma “cidade-fantasma”, segundo Kiev, por já estar praticamente toda em escombros e com poucos edifícios de pé.

“Há batalhas brutais e sangrentas em curso. Cento e seis bombardeamentos por dia”, afirmou Serhii Cherevatii, porta-voz do Exército ucraniano para a região leste.

“As nossas tropas em Soledar foram reforçadas com forças e meios adicionais para este objectivo [de defender Bakhmut] e está a ser feito tudo o que é possível para melhorar a situação operacional”, acrescentou, em declarações à televisão ucraniana, citado pela Reuters.

Num comunicado publicado nesta segunda-feira, o Exército ucraniano afirmou que “o inimigo realizou outra tentativa desesperada para invadir Soledar a partir de diferentes direcções” e que “lançou as unidades mais profissionais dos ‘wagnerites’ para a batalha”.

Na véspera, no habitual vídeo em que envia mensagens várias ao país e ao mundo, o Presidente Volodymyr Zelensky já tinha dito que “as coisas estão muito difíceis” em Soledar, mas garantiu que os soldados ucranianos “estão a repelir constantes investidas russas para avançar” na região de Bakhmut, que, antes de a guerra rebentar, tinha cerca de 70 mil habitantes.

“Não há uma única casa intacta. Os apartamentos estão a arder, partidos ao meio”, conta Olga, de 60 anos, uma fugitiva de Soledar que encontrou refúgio em Kramatorsk, a cerca de 50 quilómetros do principal foco dos confrontos – onde a Rússia diz que matou 600 soldados ucranianos com um míssil, reivindicação que Kiev rejeita.

“Até à semana passada não podíamos sair de casa. Toda a gente corria; soldados, com armas automáticas, gritavam”, descreve, citada pelo Guardian.

Conquistada em 2014 pelos separatistas pró-russos do Donbass, mas recuperada mais tarde pelo Exército ucraniano, Bakhmut não parece ter grande valor ou vantagem estratégica para a Rússia no conflito na Ucrânia, segundo muitos analistas militares.

Mas o fundador do Grupo Wagner, Ievgeni Prigojin, disse no sábado, no Telegram, que tem interesse na “rede de cidades subterrâneas” de Bakhmut, um complexo de mais de 160 quilómetros de túneis, por onde um “grande grupo de pessoas, a uma profundidade de 80 a 100 metros, mas também carros de combate e veículos de infantaria se podem movimentar”.

Em declarações à Reuters, um responsável da Casa Branca disse, porém, que a “obsessão” de Prigojin podia estar relacionada com “interesses comerciais”, já que aquilo que motivou a construção das cidades subterrâneas é o facto de haver minas de sal e de outros minerais debaixo de Bakhmut.

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