Benfica cai com estrondo em Braga e sofre a primeira derrota da época

Os benfiquistas perderam o estatuto de única equipa invicta no campeonato com um desaire pesado no Minho frente ao Sp. Braga e perde terreno para os rivais.

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O Sp. Braga festejou três vezes frente ao Benfica EPA/HUGO DELGADO

Será um final de ano festivo para o Sporting de Braga e algo acabrunhado para o Benfica. No “jogo grande” da 14.ª jornada da I Liga, que opunha o líder do campeonato ao terceiro classificado, foram mais fortes os bracarenses que impuseram a primeira derrota da temporada aos “encarnados” e logo por claros 3-0. Um triunfo assente, acima de tudo, num primeiro tempo completamente falhado por parte dos benfiquistas a quem a pausa para o Mundial de futebol não fez bem, já que foram eliminados da Taça da Liga e sofreram, agora, o primeiro desaire da época.

Com a derrota contra o Sp. Braga, e face aos triunfos de FC Porto e Sporting nesta jornada, a equipa de Roger Schmidt vê a sua vantagem no topo da tabela reduzir-se para o trio – os portistas são os que ficam mais perto, a cinco pontos. Ainda não o suficiente para fazer soar os alarmes na Luz, mas o bastante para os benfiquistas perceberem que o que fizeram até à paragem do campeonato não valerá de muito no que ainda falta jogar até ao final da temporada.

O jogo começou com o primeiro golo do Sp. Braga. Ainda não tinham decorrido 120 segundos quando, na sequência de um livre, Abel Ruiz aproveitou bem uma segunda bola que caiu na área benfiquista e inaugurou o marcador.

Os minhotos viam-se a ganhar sem quase saber como, mas aproveitando bem a oportunidade que lhes caiu do céu. E, depois, tiveram o mérito de justificar essa vantagem “madrugadora” com uma exibição tacticamente impecável, em especial nos primeiros 45 minutos.

Com a memória fresca da goleada sofrida na partida anterior, em Alvalade, frente ao Sporting, em jogo da Taça da Liga, Artur Jorge promoveu seis alterações em relação a esse “onze”. Mas mais do que as mudanças de nomes, o mais importante foi a alteração táctica. O Sp. Braga deixou o 4x4x2 e alinhou frente ao Benfica num 4x3x3 que, na prática, significou ter menos um elemento na frente mas uma zona central do meio-campo mais povoada. E sabendo que muito do futebol dos benfiquistas nasce nessa zona interior, fruto da influência de Enzo Fernández na equipa “encarnada” o resultado foi a quase completa paralisia do Benfica.

Já Roger Schmidt deixou que os primeiros 45 minutos fossem desperdiçados. O alemão fez três mudanças em relação ao jogo anterior das “águias”, também da Taça da Liga, contra o Moreirense e que ditou igualmente a eliminação da prova, fazendo regressar ao “onze” três mundialistas: Otamendi, Enzo e João Mário. Mas o problema do Benfica durante toda a primeira parte foi acima de tudo de leitura de jogo.

Os “encarnados” só tinham jogo interior e nunca conseguiram dar largura ou profundidade ao seu futebol. Bah e Grimaldo, nas laterais, raramente foram “activados” de forma a compensar o jogo “pelo meio” que João Mário e Aursners buscavam. Por outro lado, Gonçalo Ramos e Rafa não faziam movimentos para as costas da defesa bracarense. Pelo contrário, tentaram vezes sem conta, recuar entre as linhas bracarenses à procura de tabelas ou triangulações. Iniciativas votadas ao insucesso porque no meio-campo quem mandava era o Sp. Braga, com Racic e Al Musrati a ficarem com quase todas as segundas bolas ou passes transviados ou interceptados.

O resultado de tudo isto foi que o primeiro remate do Benfica à baliza adversária só tivesse surgido aos 34’, por Rafa, obrigando a defesa apertada de Matheus. Mas nessa altura já o Sp. Braga tinha marcado o seu segundo golo, por intermédio de Ricardo Horta (32’) e visto Abel Ruiz obrigar Vlachodimos a uma defesa difícil (27’).

A perder por 2-0, Roger Schmidt mexeu ao intervalo, arriscando. Retirou Florentino (recuando Aursners) e fez entrar Musa. Gonçalo Ramos passou a ter mais liberdade e mais gente perto de si e também passou a fazer outro tipo de movimentações (mais laterais), abrindo espaço para a entrada dos médios.

Mas este balanceamento ofensivo tornava o Benfica mais exposto aos contra-ataques do Sp. Braga, que não alterou a sua forma de jogar. A partida, nesta fase, tanto podia dar ou mais um golo dos bracarenses ou a redução da desvantagem do Benfica, que até teve um par de lances para o fazer. Mas foi a primeira das opções a acontecer.

Matheus fez uma reposição de bola rápida, num pontapé longo para as costas da equipa benfiquista que apanhou os “encarnados” balanceados no ataque. Bah falhou o corte e Iuri Medeiros teve apenas que servir Ricardo Horta para o 3-0 minhoto (segundo do ex-ambicionado reforço do Benfica) aos 70'.

Estava consumada a primeira derrota da temporada dos invencíveis. E foi inquestionável.

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