Poesia e ensaio em 2022: notícias de uma região melancólica

A poesia e o ensaio são géneros minoritários, mas fornecem um bom posto de observação da situação editorial.

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António Vieira: a forma ensaística no máximo das suas possibilidades RICARDO BRITO/arquivo

A escolha que resultou nesta lista pressupõe a delimitação de um corpus que é uma pequena região no interior do grande continente editorial. Este corpus inclui apenas livros de poesia e ensaio, com uma única excepção: Os Mamíferos, as Aves e os Peixes, o segundo livro de Manuel Bivar. Porquê esta excepção? Porque é um livro porco, amoral, grotesco, que provoca o riso soberano e se precipita com estrondo no nosso jardim sem pecado da ficção narrativa. Alinhei em primeiro lugar os livros de ensaio e depois os de poesia, mas poderia ter feito o contrário, desalinhando esta falsa hierarquia. Na verdade, um pressuposto desta lista é a de que os livros não pertencem todos à mesma espécie e não se pode comparar e hierarquizar duas coisas que não se encontram em nenhuma região comum. O meu corpus de ensaios tenta abarcar o que recai sob uma noção de ensaio como género, de onde estão excluídos os estudos pertencentes a uma determinada disciplina (os estudos literários, artísticos, sociológicos, etc., que no entanto, em certos casos, podem ter uma dimensão fortemente ensaística).

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