Trump deverá anunciar hoje a sua candidatura à Casa Branca

Derrota nas eleições intercalares de vários candidatos republicanos que partilham a sua teoria, falsa, sobre as presidenciais de 2020 não parece ter afectado decisão do ex-Presidente.

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Donald Trump num comício no Ohio, onde a semana passada prometeu "um grande anúncio" para o dia 15 de Novembro GAELEN MORSE/Reuters

Quando o ex-Presidente dos EUA prometeu, na semana passada, fazer “um grande anúncio” a 15 de Novembro, pairava uma expectativa sobre as eleições intercalares, prevendo-se uma “onda republicana”, vitórias de candidaturas moldadas à imagem de Trump que negavam os resultados das eleições presidenciais de 2020. Essa onda não se materializou, e muitas das candidaturas que negaram os resultados foram derrotadas – a mais recente foi a de Kari Lake no Arizona, que perdeu a corrida de governadora para a democrata Katie Hobbs.

Mas nada disto – nem as inúmeras investigações que pairam sobre o ex-Presidente, nem os sinais negativos dos eleitores – parece estar a travar Trump, e os media americanos noticiam que deverá manter o anúncio como planeava fazer.

A CNN lembra que o partido começa a debater se Trump é um candidato viável, lembrando as derrotas do partido, que perdeu a Câmara dos Representantes em 2018 e o Senado dois anos mais tarde, e agora a escolha de candidaturas “sem qualidade, extremistas, que negam os resultados eleitorais para estas eleições intercalares não está só a pairar sobre a sua festa de lançamento de candidatura” – mais do que isso, “o ex-Presidente está a ser acusado de sabotar a sua própria equipa”.

O Partido Republicano, continua uma analise no site da estação de televisão dos EUA, “tem todas as razões racionais para deixar Trump”. As eleições mostraram, por exemplo, “que os eleitores não rejeitaram os republicanos per se”, já que “candidatos verdadeiramente conservadores que se distanciaram do ex-Presidente, como os governadores Brian Kemp da Geórgia, Mike DeWine do Ohio, e Chris Sununu a serem facilmente reeleitos” e, por outro lado, várias candidaturas apoiadas por Trump para cargos de governador ou outros cargos nos estados ou ainda candidaturas ao Senado ou Câmara dos Representantes perderam – o mais recente exemplo, e um dos casos mais importantes, foi o de Keri Lake no Arizona.

Uma candidatura de Trump irá ainda ser contestada legalmente. A organização CREW, de defesa da transparência na política, alegou que a Constituição dos Estados Unidos impede Trump de se candidatar a cargos públicos – incluindo ao de Presidente dos EUA –, devido ao seu envolvimento na invasão do Capitólio, e prometeu contestar uma candidatura em tribunal com este argumento.

Segundo o Washington Post, alguns conselheiros de Trump gostariam que o anúncio fosse adiado, para terem uma organização de campanha mais definida – Trump só começou a entrevistar pessoas para a campanha há poucos dias.

O Post diz ainda que há vários conselheiros que expressaram dúvidas em privado sobre a sua disponibilidade para mais uma campanha de Trump, com muitos a terem sido intimados a depor em comissões do Congresso por causa das suas ligações ao ex-Presidente.

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