Manuel Linhares leva os sons de Suspenso ao Hot com o saxofonista David Binney

O cantor de jazz Manuel Linhares apresenta ao vivo o elogiado álbum Suspenso. Esta quarta-feira no Hot Clube, sexta-feira da Casa da Música e sábado em Ponte de Lima.

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Manuel Linhares DARYAN DORNELLES

Chama-se Suspenso e foi lançado em Janeiro deste ano, depois de ter sido gravado em plena pandemia. Com estreia absoluta no 12.º festival Porta-Jazz, logo no dia 4 de Fevereiro, começa agora uma ronda por vários palcos. Terceiro álbum de Manuel Linhares, uma das raras vozes masculinas do jazz que se faz em Portugal, sucede a Traces of Cities (2013) e Boundaries (2019) e esta quarta-feira à noite será apresentado ao vivo no Hot Clube, em Lisboa, com sessões às 22h30 e às 00h00, seguindo-se a Sala 2 da Casa da Música, no Porto (dia 28, às 22h30), o Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima (dia 29, às 21h30) e, na vizinha Espanha, a Sala Clamores de Madrid (6 de Novembro, às 20h30). Estes concertos acompanham a reedição de Suspenso, no passado dia 14 de Outubro.

O disco, classificado com quatro estrelas por Nuno Catarino no Ípsilon do PÚBLICO e aí descrito como um trabalho que “mostra a voz de Linhares em todo o seu esplendor” e que o confirma “definitivamente” no panorama jazzístico português, tem nestes concertos um atractivo adicional: a presença em palco do saxofonista norte-americano David Binney, que participou em Suspenso à distância e que agora se junta a Manuel Linhares em palco.

Binney, que arrecadou por três vezes o prémio dos críticos da revista Downbeat na categoria de Saxofone Alto, merecendo capa dessa revista e da Jazz Times (esta, citando o comunicado que anuncia estes concertos, elogiou-o como “um dos poucos músicos que criaram uma estética de jazz alternativa” na cena actual), dará também uma Masterclass no dia 27, às 14h, no Auditório 4 da Universidade Lusíada de Lisboa (com entrada livre). Nela, segundo os promotores dos actuais concertos, David Binney “irá partilhar a sua experiência artística, dar a conhecer a sua carreira, a forma como compõe e toca.”

Apesar de ter participado no disco de Manuel Linhares, o saxofonista norte-americano só trabalhou com ele à distância e vão encontrar-se agora em palco pela primeira vez. Isso deriva das condicionantes do processo de feitura do álbum, como recorda o cantor ao PÚBLICO: “Tinha acabado de lançar o Bounderies, em 2019, e de repente fechou tudo. Nem tempo houve para exportá-lo para os palcos.” Resultado: com os confinamentos, refugiou-se na composição. “Foi um momento de exploração sonora e composição muito grande e este álbum começou a ser realizado de uma forma distinta. Com a premissa de envolver mais músicos, num período em que muitos estavam sem trabalho (tive um apoio da DGArtes para isso), e partilhar a produção com mais alguém. Acabei por trabalhar com o António Loureiro, que é um multi-instrumentista brasileiro de quem gosto muito.”

E foi através dele, que tinha uma relação mais próxima com Binney, que o saxofonista norte-americano entrou no disco. “Falámos com ele, gostou imenso das músicas e do projecto e gravou. Agora, como gosta muito de Portugal, ficou entusiasmado com a hipótese de participar também nos concertos. Acabámos por estabelecer uma boa relação e vai ser fantástico, porque nunca tocámos juntos ao vivo, vai ser a primeira vez.”

Binney, que vive em Los Angeles, teve de participar no disco, devido à pandemia, através de uma “ginástica” especial, como conta Manuel Linhares. “O António partilhou a sessão de gravação através do estúdio em Portugal com o estúdio dele no Brasil e o David Binney estava connosco através do Zoom, em videoconferência. A maior parte dos músicos estavam aqui presentes, tanto o Coreto Porta-Jazz como o meu quarteto, gravámos toda a base e depois houve coisas que tiveram de ser adicionadas e trabalhadas, como as partes do Binney e dos outros convidados, o Frederico Heliodoro, o Rubinho Antunes e o Alexandre Andrés. Foi uma coisa extraordinária, fazer com que aquilo soasse live!”

Os concertos que agora se iniciam centram-se muito no novo disco, embora Manuel Linhares diga que haverá “algumas surpresas”: “Criámos arranjos novos para septeto, desta vez vamos estar, para além de mim [voz] e do Binney [saxofone], o Paulo Perfeito no trombone, o Gonçalo Marques no trompete, o Paulo Barros no piano, o José Carlos Barbosa no contrabaixo e o João Cunha na bateria. E para além dessa parte musical, tentámos criar um espectáculo com cenografia e desenho de luz, para dar um contexto a este trabalho. O Hot vai ter uma versão um pouco mais pequena, sem a parte da cenografia [devido às condicionantes do espaço], mas musicalmente será forte, sempre.”

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