Publicidade ao leite materno, precisa-se!

O Marketing das Mães que Amamentam tem de ser diário, e não escondido, pois caso contrário, a indústria do leite artificial/desmame continua a ganhar terreno.

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"Tem de ser discutido com a mãe/família um Plano de Amamentação. E o papel do Pai, que é o guardião dessa amamentação" Helena Lopes/Unsplash

Neste início do mês de Outubro comemoramos a Semana Europeia do Aleitamento Materno, que é comemorada sempre na 40.ª semana do ano, em alusão ao número de semanas que uma gestação tem.

Tivemos em Agosto, a Semana Mundial do Aleitamento Materno, ou a Semana Dourada, mas que em Portugal não tem muito peso, apesar de no Brasil já ter conseguido converter a semana para mês, o Agosto Dourado.

E por que temos de estar sempre a relembrar o Aleitamento Materno? Porque em Portugal alguns estudos demonstram que mais de 90% das mulheres iniciam o aleitamento materno, mas quase metade desiste no primeiro mês de vida do bebé e que a prevalência do aleitamento materno se mantém bastante aquém das metas e objectivos preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2025, que recomendam que 50% dos bebés estejam em aleitamento exclusivo até aos seis meses.

E isso deve-se a:

  • Falta da preparação para a amamentação antes do nascimento com apoio e aconselhamento aos pais por profissionais de saúde com formação na área;
  • Falta da promoção da amamentação logo após o nascimento;
  • Falta de estabelecimento e manutenção da amamentação através de um aconselhamento adequado;
  • Falta da protecção social e comercial da amamentação enquanto boa prática;
  • A formação de profissionais de saúde que não está de acordo com o Código Internacional de Marketing de Substitutos de Leite Materno;
  • A não existência de um Comité para o Aleitamento Materno com representantes de vários sectores;
  • E a não existência de um Coordenador Nacional para o Aleitamento Materno.

Estas semanas que assinalam o Aleitamento Materno são um lembrete à sociedade. No entanto, quem amamenta como eu, deverá fazê-lo diariamente, tal como as grandes empresas do Leite Artificial fazem. O Marketing das Mães que Amamentam tem de ser diário, e não escondido, pois caso contrário, a indústria do leite artificial/desmame continua a ganhar terreno.

Nas várias investigações efectuadas, descobriu-se que a amamentação tem um período de desmame que varia entre os dois anos e os sete/oito anos, e é por isso que a OMS recomenda no mínimo dois anos, não existindo um tempo limite recomendado.

Cada vez mais vejo o quanto a mulher não está preparada para a amamentação. Não tem referências na família, nem nos amigos à sua volta. O acompanhamento na gravidez não a prepara para os primeiros 15 dias e, para o principal, que na minha visão é a questão emocional e mental da entrega de si a um ser que depende exclusivamente da mãe. E isso tem de ser preparado, tem de ser discutido com a mãe/família um Plano de Amamentação. E o papel do Pai, que é o guardião dessa amamentação.

Cabe a nós todos, a responsabilidade da amamentação. E orgulhosamente empoderar outras mulheres e famílias a fazê-lo, sem pudor, relembrando que:

  • Não existe leite fraco, pois o colostro e o leite, alteram-se de acordo com as necessidades das crianças, porque existem bífidos, pré e probióticos que formam a microbiota, permitindo deste modo um sistema imunitário mais forte, que se forma nos primeiros seis meses de vida ficando completo por volta dos seis/sete anos, e que nos protege para o resto dos nossos dias.
  • A amamentação ensina a coordenar deglutição e respiração, forma o palato e cria uma protecção que defende os dentes das cáries, sendo mito o inverso.
  • Crianças alimentadas a leite materno têm menos probabilidades de ter diabetes, obesidade, asma e doenças auto-imunes e são mais inteligentes e independentes.
  • As Mães têm menos probabilidade de desenvolver cancro da mama.
  • Através da amamentação exclusiva até aos seis meses, as famílias ficam com mais cinco euros diários na carteira — o custo estimado dos gastos com leite artificial.
  • Por fim, o Estado gasta menos em apoios sociais na doença dos seus cidadãos, pois a população tem uma probabilidade mais alta de ser saudável.

Para finalizar, deixo-vos três questões:

  • Que políticas de saúde pública que incluam a amamentação estão a ser implementadas em Portugal?
  • Até quando vamos deixar cair e abandonar um leite personalizado, que começa por ser um medicamento exclusivo e que vem numa embalagem VIP?
  • E por que razão não existem anúncios ao Leite Materno?
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