No espectáculo das metamorfoses de Cindy Sherman

No Museu de Serralves, Metamorfoses, até 16 de Abril, não é a exposição de Cindy Sherman que podia ter sido. Embora composta de muitas obras da artista que marcou a arte nos anos 70 e 80 do século passado, privilegia os trabalhos visualmente mais impressionantes numa montagem encenada do espaço. O efeito é inebriante e espectacular, mas, no fim, pouco memorável. Infelizmente, já vimos uma grande parte daqueles retratos. Isto é, daquelas imagens.

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Filipe Braga

Passaram desde 24 anos desde a exposição — a primeira e uma antológica — de Cindy Sherman no Centro Cultural de Belém, Lisboa. Tempo suficiente para mudanças. O contexto artístico nacional e internacional não é o mesmo, as correntes da arte contemporâneas seguem outros cursos. E, poder-se-ia acrescentar, a obra da artista que inaugura hoje, Metamorfoses, no Museu de Serralves, com a curadoria de Philippe Vergne, também sentiu a passagem do tempo. Verdade seja dita, nos últimos 15 anos experimentou uma certa erosão em termos de visibilidade.

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