Tão adoradas que são as famílias

Sobre os escombros da família, erguem-se as famílias. A família, declinada no singular, era a família eterna, aquela que nos é apresentada como garante de uma ordem social, moral, antropológica. É a família dita “natural” (as aspas servem para manifestar uma necessária reserva: na verdade, a família que se apresenta com a aparência de que foi sempre assim é uma invenção recente), uma instituição formada por um conjunto de regras e de valores sociais. Essa família eterna, agente natural de reprodução da ordem estabelecida, desapareceu com a multiplicação das famílias monoparentais e homoparentais, de casais que praticam um nomadismo avesso à maternidade, com o casamento entre pessoas do mesmo sexo e, por conseguinte, o fim da exclusividade heterossexual em matéria matrimonial. Esta diversidade actual remodelou completamente a paisagem familiar.

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