Irene Vallejo: “A criatividade é uma maneira de lutar contra a angústia de ser mortal”

O Silvo do Arqueiro foi escrito como preparação para o grande ensaio O Infinito Num Junco que tornou Irene Vallejo num nome reconhecido em todo o mundo literário. É uma recriação da Eneida que traz elementos contemporâneos e uma homenagem ao seu criador, Vergílio. Conversámos com a autora em Lisboa.

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RG Rui Gaudêncio - 9 Setembro 2022 - Irene Vallejo, escritora e académica espanhola. Lisboa. Público Rui Gaudêncio

É muito pequeno, mas não pode passar despercebido o símbolo do infinito no fio que Irene Vallejo usa junto ao pescoço nesta conversa em Lisboa. “Somos seres simbólicos e os símbolos são muito importantes para construir a nossa realidade”, dirá a escritora que se tornou mundialmente famosa depois de um ensaio literário sobre a vida dos livros, O Infinito num Junco, original de 2019 entretanto traduzido para mais de 30 idiomas. Entretanto, Vallejo (n. Zaragoza, 1979) não voltou a ter tempo para escrever, dedicada a aprender outras línguas e a promover o livro que quis escrever como as Mil e Uma Noites, encandeando histórias para contar a grande história dos livros “em forma de aventura”. O sucesso apanhou-a desprevenida e continua a não ter explicação para o que aconteceu e lhe mudou a vida. “Perguntei a editores, livreiros, leitores que razões podem explicar o êxito, mas continuo surpreendida e incrédula. Ao contrário das histórias tradicionais da literatura que se centram nos escritores, o livro fala das pessoas que ajudaram a que as histórias sobrevivessem. É um grande feito colectivo. Pensamos quase sempre na criação em termos individualistas e a salvação dos livros é uma grande história de que todos fazemos parte. É a história da democratização do saber.”

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