Recuperada parte do casco de uma nau da Índia que naufragou em 1615

A nau “Nossa Senhora da Luz” naufragou há mais de 600 anos junto ao Faial, nos Açores. Estima-se que mais de 150 pessoas tenham morrido neste acidente náutico.

Foto
A embarcação naufrafou no Faial há mais de 600 anos Nuno Ferreira Santos

Uma missão de arqueologia subaquática descobriu uma parte do casco da nau da carreira da Índia “Nossa Senhora da Luz”, que naufragou em Novembro de 1615 junto ao Faial, nos Açores.

Em comunicado, o Observatório do Mar dos Açores (OMA) realça que desde que o local do naufrágio foi redescoberto, em 1999, têm “sido levadas a cabo diversas campanhas de investigação e monitorização do sítio arqueológico”. A descoberta de uma parte do casco da nau decorreu durante a última destas campanhas, que começou a 29 de Agosto e termina este sábado.

“Foi feita uma descoberta particularmente relevante, com a identificação de parte do casco da nau, antes desconhecida, a aflorar na areia, um raro exemplo de um dos mais icónicos navios da era moderna”, lê-se na nota de imprensa.

Foto
A missão foi coordenada pelo Observatório do Mar dos Açores (OMA) Catarina Fazenda/OMA

A missão foi coordenada pelo OMA e pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com o apoio da Escola do Mar dos Açores e da Direcção Regional dos Assuntos Culturais dos Açores.

A nau “Nossa Senhora da Luz” saiu de Goa em Fevereiro de 1615, tendo naufragado em 7 de Novembro do mesmo em ano, junto a Porto Pim, “dando à costa muitos dos seus despojos nos dias seguintes”, lembra o OMA.

Devido à “importância da carga”, na altura, a Coroa portuguesa organizou uma “gigantesca operação de salvados”. Estima-se que “mais de 150 pessoas” tenham morrido naquele acidente.

A campanha do OMA e da FCSH incluiu ainda o levantamento arqueológico do naufrágio do “Main”, um navio a vapor inglês que também naufragou na baía de Porto Pim em 1892.

Esta missão enquadra-se nas actividades do projecto CONCHA, financiado pela Comissão Europeia no âmbito do “Maria Curie-Rise”, que pretende estudar as “cidades portuárias atlânticas da época moderna”.

Sugerir correcção
Ler 2 comentários