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Tomatina: tradição espectacular ou desperdício monumental?

Voltou a acontecer em Espanha a batalha campal, onde foram usadas 130 toneladas de tomates e muita, muita água para lavar as ruas de Buñol. O espectáculo atrai milhares de visitantes, mas há também quem critique e o considere "ridículo", especialmente em época de crise e seca.

 

Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA

É uma tradição que leva milhares a Buñol, na província espanhola de Valência: este ano terão sido mais de 15 mil turistas a participarem na Tomatina, que celebra 75 anos de existência, após dois anos de paragem por causa da pandemia. Foram contabilizadas 130 toneladas do divino fruto

A participação é gratuita para os habitantes, mas os visitantes têm de pagar 12 euros para participar. Sendo uma das grandes atracções da região, e uma celebridade mundial sempre com direito a fotogalerias em explosão vermelha, a Tomatina já ostenta oficialmente a distinção de Festa de Interesse Turístico Internacional. Inclusive de interesse para produtores de tomate, sendo que este ano, pelas hesitações com a pandemia, não houve produção local suficiente de tomate que sobrasse para a fiesta e fosse necessário adquirir para lá das fronteiras da província.

Mas nem tudo são aplausos e festa. "Uma autêntica vergonha internacional disfarçada de festa turística". Assim escreve no jornal Público espanhol o jornalista David Bollero a propósito da Tomatina. "Ao desperdício de 130 toneladas de tomate soma-se uma enorme quantidade de metros cúbicos de água para limpar", escreve o jornalista numa crónica que chamou de "Bochornosa Tomatina", algo como Vergonhosa Tomatina.

Como noutros casos, a vertente económica deste evento, "os dois milhões de euros de receitas" que os dirigentes políticos afirmam que a Tomatina distribui pela província, parece ser a "única grande justificação" para um espectáculo que, diz Bollero, "analisado com frieza, é tão ridículo como vergonhoso".

Para ele, e para muitos espanhóis, desperdiçar numa batalha campal 130 mil quilos de tomates é "uma autêntica aberração", principalmente se tivermos em consideração factores como a seca extrema e a inflação "desbocada" ("o preço do tomate disparou cerca de 45%, dificultando o acesso às famílias em risco de exclusão cada vez mais numerosas em Espanha").

Da mesma forma, o cronista aponta o dedo à quantidade de água que será necessária para o trabalho de limpeza após a batalha, e particularmente em tempo de ameaça de seca extrema. "É obsceno considerando que o abastecimento de água em algumas cidades da Espanha já foi cortado. Nem todas as tradições são boas, nem tudo vale para ganhar dinheiro. Tão simples quanto isto."

 

Tomatina, 2022
Tomatina, 2022 EPA/Ana Escobar
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Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina, 2022 EPA/Ana Escobar
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Tomatina, 2022 EPA/Ana Escobar
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Tomatina Reuters/JUAN MEDINA
Tomatina, 2022
Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina, 2022 Reuters/JUAN MEDINA
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Tomatina ,Tomatina EPA/Ana Escobar
Tomatina, 2022
Tomatina, 2022 EPA/Ana Escobar
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Tomatina, 2022 EPA/Ana Escobar
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Tomatina, 2022 EPA/Domenech Castello