Arranca o Catraia, um festival na Praia da Tocha para falar sobre ambiente

Até domingo, localidade do concelho de Cantanhede recebe concertos, oficinas, conversas, instalações e exposições como forma de despertar consciência ecológica

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Festival Catraia ocupa vários pontos da Praia da Tocha até domingo Nelson Garrido

Na curta vida do festival Catraia, apenas a edição de arranque, em 2019, decorreu em circunstâncias normais. Depois de dois anos condicionado pela pandemia, o festival da Praia da Tocha que pretende trabalhar a consciência ambiental através da arte e da acção em comunidade regressa à localidade costeira do concelho de Cantanhede.

De 11 a 14 de Agosto, o Catraia estende-se por vários pontos da Praia da Tocha com concertos, oficinas, conversas, instalações, exposições e actividades desportivas e para crianças.

O nome do festival acaba por cruzar um regionalismo com a consciência ambiental que quer despertar: a expressão “andar à catraia”, na gíria gandaresa, significa “caminhar à beira-mar em busca de materiais trazidos pelo mar com o fim de os reutilizar”, explica a organização, recorrendo ao Glossário de Termos Gandareses, de Idalécio Cação. O que antes se fazia por carência económica, faz-se hoje por necessidade ambiental.

O Catraia nasceu dessa mesma actividade de um grupo de pessoas que vive na Praia da Tocha ou nas redondezas e que, juntamente com associações locais, já se juntava para recolher o lixo que dava à costa, conta Mariana Andrade, da organização de um festival que está alicerçado na Associação de Moradores da Praia da Tocha.

Em 2019, decidiram trabalhar essa ideia em formato de festival, aproveitando o Verão, temporada durante a qual a praia vê multiplicar-se exponencialmente o número de pessoas que a visitam, para reflectir sobre modelos de consumo e um futuro alternativo. Nos últimos dois anos, o Catraia não deixou de existir, mas teve a organização condicionada por causa da pandemia. Este é um regresso ao formato de 2019, já sem limitação de público.

Este ano, explica Mariana Andrade, uma das novidades é a feira de trocas, uma forma de apelar à reutilização de objectos e o comércio circular. Há também uma instalação sonora, a cargo de Santi Lesca, sound designer que vai estar na Praia da Tocha a desenvolver uma peça musical com o público, utilizando materiais reciclados, antecipa.

Entre os músicos que vão passar pelo palco instalado no Largo da Fonte estão nomes como Terra Livre, Baleia Baleia Baleia e Ana Lua Caiano.

Na segunda-feira, inserido na lógica do festival, mas fora da programação, foi também promovido um percurso pelas lagoas e charcos que rodeiam a Praia da Tocha que muita da própria população desconhece. A actividade conduzida pelo investigador do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, Jael Palhas, serviu para chamar a atenção para a importância destes elementos e da sua biodiversidade no ecossistema.

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